Porque eu escolhi votar na Dilma

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favelasMoro em Osasco, na região metropolitana da Grande São Paulo. Por muito tempo, o bairro onde moro foi considerado uma favela, com altos índices de violência, com muitas moradias precárias, com ruas ainda de terra.

Entretanto, nos últimos 10 anos, meu bairro ganhou novos ares, novas escolas, as casas tornaram-se melhores, a violência reduziu bastante, o comércio prosperou, as ruas foram asfaltadas, dentre várias outras melhorias.

Por incrível que pareça, todas estas melhorias coincidiram com o governo do Partido dos Trabalhadores no município que, por sinal, também coincidiu com a gestão do PT na esfera federal.

Em 1994, ano de criação do plano real, meu pai, que trabalhara na indústria até 1993, passou a trabalhar como ambulante na rua, vendendo panelas, tapetes, baldes, dentre outros utensílios domésticos. Assim como os demais vizinhos, morávamos num barraco de um cômodo e um banheiro.

Com o passar dos anos e com muito esforço de meu pai, a casa foi tomando forma e, em 1995, meu pai conseguiu levantar o primeiro cômodo de alvenaria da casa, então, saímos do barraco. Ao longo dos anos seguintes, meu pai continuou trabalhando bastante para levantar nossa casa, mas sempre destacando as dificuldades do período.

Infelizmente, minha memória dessa época se resume a isto, pois eu era muito pequeno. Uma das coisas que me lembro com mais clareza era de meu pai reclamar do desemprego e da quantidade de “fiados” que tinha na rua. As pessoas não tinham muitas condições para pagar as contas que contraíam, até que meu pai largou o crediário na rua e foi trabalhar em um posto de gasolina.

escola_públicaAntes de continuar neste ponto, volto um pouco a história para falar sobre mim. Eu sempre estudei em escola pública e consigo me lembrar que as reclamações de quase todos os pais sobre a educação que nós, alunos, recebíamos era muito fraca. Por esta razão, meus pais sempre foram muito enfáticos em ressaltar a importância de estudar bastante em casa. O que parecia evidente à época é que as chances que eu teria de entrar em uma universidade eram quase nulas.

Então, em 2002, Lula vence as eleições. Eu tinha 11 anos e lembro-me da euforia que tomou conta da cidade: as pessoas comemoravam pelas ruas, os fogos de artifício iluminavam o céu… Parecia que uma boa nova se anunciava.

Meu pai saiu do posto de gasolina e voltou a trabalhar como ambulante, mas em pouco tempo, já estava planejando abrir uma loja de roupas e um bazar. Então, por volta de 2004, meu pai conseguiu abrir a lojinha, que hoje tornou-se uma referência no nosso bairro.

Paralelamente, os índices de violência caíram drasticamente, novas escolas foram construídas na região, a situação econômico-financeira da maioria das famílias também melhorou bastante.

Em 2007, eu consegui meu primeiro emprego formal, o maior orgulho para os meus pais e um impulso gigante para a minha carreira. Eu tinha 16 anos e iniciava meus trabalhos em um dos maiores bancos brasileiros, que por sinal tem sede em Osasco. Isso me possibilitou entrar na faculdade em 2010, assim, dei início ao curso de Ciências Econômicas na Universidade Paulista.

Em 2012, fiz intercâmbio de cinco meses na Inglaterra, onde aprendi Inglês e ganhei uma visão mais ampla do mundo. Nesse interim, meus pais já tinham reformado totalmente a casa, comprado e quitado o carro e estruturado totalmente a loja de roupas e bazar, com CNPJ e tudo mais.

Contei esses pontos mais importantes de nossa história recente para destacar as melhoras que nossas vidas tiveram nos últimos 12 anos. Hoje, eu tenho nível de inglês avançado, estou a algumas semanas de me formar, trabalho em uma agência de marketing como analista de controladoria, a loja dos meus pais vai bem, nossas contas estão todas em dia e não temos dívidas.

E o que isso tem a ver com o título? Como eu citei: a melhoria que vivenciamos coincidiu com a chegada do governo do PT, tanto na gestão do município, quanto na gestão federal. Hoje Osasco possui o 11º maior Produto Interno Bruto do Brasil, e o 4º maior do Estado de São Paulo.

E, aproveitando este gancho, seria impossível não trazer algumas estatísticas para clarificar o porquê do meu voto no PT neste segundo turno.

Primeiramente, a formação de empregos aumentou muito ao longo destes anos e eu também fui beneficiado. De acordo com os dados do IPEAdata, em maio de 1999, 732.704 pessoas foram admitidas em regime CLT. Este número foi modesto por bastante tempo, mas começou a crescer bastante a partir de 2005. Já em agosto de 2014, o número de admitidos foi de 1.748.818, mostrando clara evolução.

Em 2000, o PIB real brasileiro (deflacionado pelo deflator implícito do PIB), de acordo com os dados do Banco Mundial, foi de 645 bilhões de dólares. Já em 2013, o PIB real foi de 829 bilhões de dólares. Isso indica um crescimento de praticamente 29% no período! O PIB per capita, a divisão de toda a produção pelo tamanho da população brasileira, em 2000 foi de 3.694 dólares por ano; em 2013 foi de 11.208 dólares!

Esses números certamente são positivos, indicando amplo crescimento da economia brasileira, mas não indicam que a situação de vida de cada brasileiro melhorou. Para isto, precisamos analisar mais dois indicadores, o Índice de Gini e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). O Gini mede a concentração de renda e o IDH, a qualidade de vida.

brazil_takes_offNeste sentido, em 2001, de acordo com o IPEAdata, o Gini era de 0,596. Em 2012, o indicador foi de 0,530, indicando claramente que a distribuição de renda melhorou no período. O IDH, mensurado pelo Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD), por sua vez, foi de 0,669 em 2000; já em 2012, foi de 0,730. Esse indicador mostra que o país também evoluiu em termos de desenvolvimento humano, melhorando a qualidade de vida dos brasileiros.

Enfim, os indicadores são vários, desde gastos com saúde, gastos com educação, número de estudantes no ensino superior (e eu sou um deles), risco brasil, taxa de pobreza e extrema pobreza, etc. Qualquer dado que você buscar nas fontes oficiais, seja IBGE, IPEA, ONU, FMI, Banco Mundial, MEC, qualquer que seja, indicará que o Brasil melhorou substancialmente.

A grande diferença entre estes últimos doze anos de governo (2003 a 2014) e os oito anos do governo anterior (1995 a 2002) é que a última gestão preocupou-se com as questões de justiça social! Não basta melhorar a situação de somente um setor da sociedade: se somos um país, a situação de todos tem que melhorar. Isso foi evidente nos últimos doze anos do governo do PT.

Obviamente que existem várias críticas e que devem ser muito bem observadas: os casos de corrupção se tornaram mais evidentes, a sensação de segurança (para muitos brasileiros) parece ter diminuído, os preços de muitos produtos aumentaram, dentre outras variáveis; mas até estes indicadores mostram que o Brasil está em outro nível.

Reflita (principalmente se você for mais velho): em algum momento da história você já imaginou ver um político sendo preso? Pois é, neste país, podemos dizer orgulhosamente que político corrupto é punido (com alguma modéstia, certamente, mas é punido)! Muitas pessoas (ainda) falam que não há liberdade de imprensa, mas nunca se criticou tanto e tão abertamente um governo como se faz hoje! Isto é tão verdade que o Sr. Bonner chegou ao limite de faltar com o respeito com a presidente Dilma quando a entrevistou em rede nacional e, ainda assim, continua falando tranquilamente todas as noites no Jornal Nacional. E a lei da ficha limpa? Não é um avanço?

Bem, fato é que muitas coisas melhoraram, muitas mesmo e com o diferencial de melhorar a situação do todo, da população, paulatinamente. Podemos dizer que está ótimo? Claro que não! Um exemplo: ainda não temos empresas de ponta totalmente brasileiras.

Faça um breve exercício mental: você conhece alguma marca de carro brasileira? Volks é alemã, Fiat é italiana, Ford e GM são americanas, dentre outras. E celular ou computador? Conhece alguma marca brasileira? Sony é japonesa, Samsung e LG são coreanas, Apple é americana. Em outras palavras: ainda não temos autonomia! A esperança é que essa nova geração (na qual eu estou dentro) possa aproveitar todo o conhecimento angariado e trabalhar ainda mais para o desenvolvimento e a autonomia deste país. As condições foram dadas: até abrir e fechar empresa se tornou mais SIMPLES!

Só para concluir. Pode até parecer contraditório, mas no primeiro turno, pela primeira vez desde que eu tirei meu título de eleitor, meu voto não foi para o PT. A questão é simples: o meu julgamento é de que o Brasil ainda precisa avançar muito em outras áreas que ainda não estão presentes na agenda de governo e ainda precisa encarar diversos problemas com firmeza.

Entretanto, analise os dados oficiais e verificará claramente que, pela primeira vez na história desse país, vivenciamos um momento diferente: um momento de verdadeiro desenvolvimento econômico com foco no social. Prometo que estou acabando, mas acho válido ressaltar mais duas informações.

Na década de 1960, quando Antonio Delfim Netto foi Ministro da Fazenda deste país, o Brasil vivenciou amplo crescimento econômico e, em uma de suas entrevistas soltou a célebre frase de que primeiro é preciso “fazer o bolo crescer, para depois dividi-lo”. Naquela situação o mundo vivenciava pleno crescimento e o país se endividava bastante. Até que na década de 1970, quando vieram as crises do petróleo e, posteriormente, a crise dos juros americanos, todo o crescimento conquistado foi por água a baixo e os problemas começaram a aparecer.

Bem, neste ano de 2014, um economista francês chamado Thomas Piketty publicou uma obra chamada “O Capital no Século XXI”. Nesta obra, Piketty aborda as questões da distribuição de renda, evidenciando que ao longo dos anos grande parte da renda mundial se concentrou nas mãos de poucos ao invés de ter sido melhor distribuída.

As evidências encontradas por Piketty vão de encontro com a teoria do economista Simon Kuznets, que relacionava distribuição de renda e crescimento do produto interno. Ele dizia que nos estágios iniciais do desenvolvimento econômico é natural que a renda se concentre. Com o passar do tempo e a evolução da economia, a renda passará a ser melhor distribuída. Em outras palavras, ele e Delfim diziam a mesma coisa: primeiro é preciso fazer o bolo crescer, para depois dividi-lo.

Piketty mostrou que ambos estavam errados. Não basta fazer com que o bolo cresça, pois isso não garante que ele será dividido igualmente ou proporcionalmente a todos. Mas você, leitor, consegue perceber alguma relação entre estas teorias e a situação atual do nosso país? Simples: hoje nós estamos preocupados em fazer com que o bolo cresça e também com que ele seja distribuído da melhor maneira possível!

Como prometido, não vou me prolongar muito nesta discussão. De todo modo, ainda há muito mesmo a ser feito, muito mesmo, mas estamos no caminho. E é por esta razão, pelo simples fato de estarmos trilhando os caminhos da distribuição e do desenvolvimento econômico que, neste momento, meu voto é do PT. Repito: muito ainda há de ser feito, melhorado, aperfeiçoado e desenvolvimento, mas estamos no caminho.

 

Qualquer dúvida, crítica, elogio ou sugestão, mande e-mail para contato@analiseeconomica.com.br.

 

Para saber mais:

PT: http://www.ilheus24h.com.br/v1/wp-content/uploads/2013/10/logo_pt.gif

Escola pública: http://i1.r7.com/data/files/2C95/948E/2EFD/C9C2/012F/0327/71A1/41A9/escola-publica-ae-450×338.jpg

http://www.ipeadata.gov.br/

The Economist – Brazil Takes Off: https://www.algosobre.com.br/images/stories/artigos/administracao/brazil_takes_off.jpg

http://data.worldbank.org/indicator/all

http://hdr.undp.org/en/data

http://www1.folha.uol.com.br/folha/treinamento/hotsites/ai5/personas/delfimNetto.html

http://ppe.ipea.gov.br/index.php/ppe/article/view/1330/1123

Porque eu escolhi votar no Aécio

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Como-fazer-coligações-partidárias2É nítida a polarização entre classes e raças que se manifestam das formas mais puras e até cruéis nestes últimos dias que precedem o pleito do segundo turno, onde geralmente os mais pobres possuem tendências petistas e os mais ricos possuem tendências psdbistas.

Apesar de estar assim no imaginário das pessoas, eu não vejo dessa forma. Não há uma clara separação entre a atuação política de um ou do outro partido, aliás, temos 32 partidos políticos que podem fazer e fazem coligações tão confusas entre si que acabam se tornando concorrentes de si mesmo em alguns estados e municípios. Agora, pense comigo: será que realmente existem 32 visões políticas tão distintas entre si que precisem de representações partidárias? Acho que não, né?!

Nesse contexto, é comum encontrar “gafes” ideológicas como no caso dos partidos que se unem em escala nacional, mas são rivais em âmbito estadual. Como o PSB, que lançou a candidata Marina Silva como presidente, mas não tinha representação no Rio de Janeiro, pois eles se coligaram com o PMDB. Este mesmo PMDB, em esfera nacional, está coligado com o PT, que possui candidata própria para a presidência (falei que era confuso!).

Ou como no caso do PR, que se intitula republicano e está coligado com o PT. E, na minha opinião, o mais extremo deles é o caso do PC do B, que é o partido comunista mais antigo do país em atividade e está coligado com o PT (que me desculpe, mas de comuna já não tem mais nada). Como se isso não bastasse, a legislação eleitoral é tão confusa que por si só já daria um longo texto de apontamentos. Por essas e outras que eu, mesmo sendo fanático por política, me considero apartidário.

Fato é que mesmo sendo apartidário eu me vi recentemente forçado a fazer uma análise do meu comportamento de eleitor e pude concluir que de todas as quatro eleições das quais eu participei, ao fazer um levantamento eu pude concluir que eu votei mais vezes no PSDB do que em qualquer outro partido para os cargos executivos. E continuando este esforço em tentar lembrar o porquê de cada uma dessas escolhas pude concluir que:

  • Eu analisei aquilo que foi feito;
  • A qualidade dos concorrentes; e
  • Como seria a continuidade caso cada um deles fosse eleito.

Deu PSDB na maioria das vezes. Pesou também o fato de não conhecer o candidato do PT (o Lula) nas eleições anteriores, mas hoje eu já não voto porque agora eu conheço.

Bem, eu era novo quando o FHC foi eleito pela primeira vez, então eu não posso dizer que me lembro nitidamente de tudo o que se passou. Mas me lembro que com apenas 1 real eu fazia a festa na cantina da escola. Dava para comprar hambúrguer, bala por 1 centavo, chiclete por 5 centavos e ainda sobrava troco!

Depois eu cresci, comecei a pesquisar e pude compreender melhor o impacto da criação do Real, sua manutenção (já que não havia estabilidade monetária desde a década de 1940) e como isto trouxe credibilidade para o Brasil no contexto mundial. Deixamos de ser vistos como terceiro mundo para sermos vistos como um país em potencial.

Eu ainda não tinha idade para tirar o título de eleitor em 2002, mas já começava a me interessar pelo tema, então em 2006 e em 2010 eu votei em outras legendas, exceto PT. Por quê? Porque agora eu já conhecia o modus operandi deles.

O papel da oposição é essencial para qualquer democracia, mas para que seja uma oposição de facto, é necessário entender bem o que deve ou não ser criticado. O PT foi contrário a eleição de Tancredo Neves, foi contrário à implantação do Plano Real, foi contrário à bolsa escola, vale gás, e os demais projetos sociais implementados pelo governo FHC e contrário às privatizações, contrários a Lei de Responsabilidade Fiscal, contrários à reeleição, dentre outras pautas que não é necessário levantar aqui.

Mas eu acho no mínimo estranho que justamente agora que eles estão no poder a coisa tenha mudado a ponto de que eles passassem a defender estes pontos. E pior, no debate da Band a candidata Dilma foi enfática ao dizer que o bolsa família não tinha sequer o DNA dos programas do PSDB! Ok, me explique então o que é isso: Lei nº 10.836, de 9 de janeiro de 2004? O Bolsa Família foi uma junção dos projetos já lançados como a bolsa escola, vale gás, PNAA e demais projetos de renda que foram implantados a partir de 2001.

Daí você pode se perguntar: Mas por que só em 2001? Como eles não conseguiram fazer antes? Simples: faltava dinheiro. E sabe como este dinheiro foi levantado? Através das privatizações! Sim, aquelas tão demonizadas! As tão odiadas privatizações que, segundo argumentos de esquerda, são um roubo à soberania nacional.

impalaTá, vamos pensar em um exemplo meio esdrúxulo que me veio à mente agora, mas que pode servir. Imagine que você tenha de herança um Chevrolet Impala 69 herdado do seu Avô.

É um carro bonito, potente, mas está bem velho (bem diferente do da foto, claro). Ele dá mais problemas do que anda, sem contar na gasolina que ele gasta (é muito, acredite!). O reparo dele custaria uma fortuna e você acabou de colocar as contas em ordem (contas que também foram herdadas de seu avô por sinal).

Manter o carro é um problema, se livrar dele nem pensar, pois sua família ainda depende dele. No meio deste dilema, você conversa com seu vizinho sobre sua situação e ele te propõe um acordo. Ele paga um determinado valor pra você, em troca ele fica responsável pelo carro e pelos eventuais reparos e o deixa a disposição para quando você quiser usar. Não é perfeito? Você se livra de uma despesa que não consegue arcar e ainda pode usufruir dos serviços.

Para o PT não é assim. O mais engraçado é que mesmo sendo contra, em 12 anos o partido não fez nada para reverter as privatizações da telefonia, da Vale do Rio Doce, da CSN, e ainda trabalhou na privatização de aeroportos e estradas (privatizações tem o lado negativo também, mas este não é o ponto aqui).

E se você é contra as privatizações e tem menos de 20 anos, eu vou te contar uma coisa: há uns 20 anos atrás uma linha telefônica custava o mesmo valor de uma moto ou um carro usado!! Pessoas investiam em linhas telefônicas para gerar renda de tão valioso e raro que era este serviço. Procure saber das demais empresas que eu citei, como eram há 20 anos e como estão hoje. Não quero deixar este texto mais longo do que já está (eu resumi este texto várias vezes para não ficar muito massivo, então é claro que eu deixei muita coisa de lado).

Resumindo, entre 1994 e 2002, o PSDB:

  • Estabilizou o Real (O Real foi criado na gestão PMDB pelo presidente Itamar Franco, quando o ministro da fazenda era o FHC);
  • Controlou a inflação;
  • Gerou receita em caixa; e
  • Criou os projetos de transferência de renda (sim! os verdadeiros pais do bolsa família, refaça o DNA).

Neste mesmo período o PT:

  • Foi;
  • Contra;
  • Tudo.

Eu gosto da crítica, da boa contra argumentação, mas eu gosto mais ainda da coerência. Se você é contra, faça diferente, ou se, na pior das hipóteses você perceber que suas críticas estavam equivocadas, reconheça e siga em frente. Se tem algo pior do que alguém que desmerece o seu trabalho é alguém que desmerece o seu trabalho, diz que vai fazer melhor, acaba fazendo o mesmo e chama esse mesmo de ideia dele.

Existem três programas da gestão do PT que eu reconheço que foram uma revolução:

  1. Prouni;
  2. Minha Casa Minha Vida; e
  3. Os anúncios publicitários.

Eu não preciso falar muito dos dois primeiros, pois com certeza você já conheceu ou conhece alguém que foi beneficiado com estes projetos, então eu vou focar no terceiro: a publicidade.

O PT tem, de longe, o melhor departamento de publicidade! Eles são tão bons que conseguem entrar na mente de uma forma tão impressionante que me faz pensar que todos ali são santos e merecem a canonização e que eu sou um monstro por não lhes render adoração.

João Santanna é o responsável por criar a imagem dos presidenciáveis e tem em seu currículo a eleição de 6 presidentes no Brasil e no exterior, além do prefeito Haddad na cidade de São Paulo. É um Sr. Currículo, convenhamos.

[Muito obrigado a você que chegou até aqui. O texto é longo, eu sei, mas você verá que tem propósito.]

Ainda sobre a publicidade, existe algo muito perigoso nela que é a arte de transformar meias verdades em verdades efetivas. Ao longo desses 12 anos, foi o que mais eu ouvi do PT e de seus anúncios. Colocar todas estas contradições aqui por si só já daria um texto enorme e eu não quero me prolongar (tá quase acabando, juro!).

Joseph Goebbels, ministro da propaganda nazista na Alemanha, disse uma frase que se aplica muito bem a este contexto: “Uma mentira repetida mil vezes vira verdade”.

Pensando nisso eu te convido a uma reflexão: será que o Governo te deu mesmo tudo o que você tem hoje? Aquele carro, aquela casa, são suas de fato? Se a sua resposta é “sim, pois eu financiei”, lamento informar, mas você está errado!

Errado porquê se você deixar de pagar o financiamento o governo toma a sua casa, seu carro e deixa seu nome nos registros de protesto. Toco neste ponto, pois hoje em 2014 cerca de 60 milhões de brasileiros estão endividados, o que dá mais um quarto da população brasileira. Você tá trabalhando? Legal. Não está? Tem emprego sobrando, mas já te adianto que mais de 70% das vagas oferecidas são de até um salário mínimo e meio.

Eu fiz uma análise dos meus últimos 12 anos e tentei conciliar com o discurso do PT e foi o que me motivou a escrever este texto. Pense: será que sua vida está melhor de fato, ou você está na verdade remando contra uma correnteza sem perceber? Aquelas horas extras que você fazia para pagar os financiamentos adquiridos em 2010 já foram proibidas pelo RH e com isso você percebeu que o seu poder de compra é menor do que você imaginava. Essa ponte de acesso à classe “C” é de vidro, mas a publicidade do PT diz que é de concreto. O povo acredita e, como se não bastasse, chama de agitadores ou de “a elite branca” aqueles que criticam. Não sou da elite e nem sou branco, o que me faz sofrer em dobro. Vou te mostrar.

Esses dias conversando com uma amiga pelo celular ela me enviou a imagem de um adesivo que vem sendo distribuído em nome da candidata Dilma.

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Confesso que ao ver essa imagem fiquei elétrico de revolta, pois ela joga fora toda a minha capacidade de analisar, me chamando de inconsciente.

Inconsciente por não votar na Dilma, inconsciente por ser ousado a ponto de não fazer um altar petista em casa, inconsciente por ser negro. Vejam só!! O partido que quer o meu voto diz que o pessoal do PSDB é que são os verdadeiros racistas, mas o mais engraçado é que a reação dos que aparentemente votarão no Aécio foi a mesma que a minha, de indignação. Já a reação dos que provavelmente votarão na Dilma foi algo como: “Ok, não foi nada demais”.

Por isso eu voto no Aécio, pois essa revolução petista da propaganda já deu pra mim. Esses movimentos de separação de classes e raças não fazem sentido e eu não aprovo! Não quero que o Brasil inicie uma guerra civil, fomentando o ódio nos que deveriam ser iguais.

Eu não estou querendo fazer um discurso “pró-elite branca” e nem caçar assunto para virar alvo de racismo dos petistas fanáticos, como aconteceu com um médico negro que defendeu a mesma posição na rede social.

Eu só quero ter mais uma das coisas que eles vendem muito bem na sua propaganda, mas não entregaram de fato: o direito de ser visto como uma pessoa que pensa, não como uma mercadoria para fins eleitorais. Até porque, quando eu penso na questão racial existe uma diferença entre acabar com o problema e evidenciá-lo. A ferida está aberta e exposta, mas não ouse dizer que foi tratada.

Mas isso eu não vou cobrar da Dilma, nem do Lula porque não são em 12 anos que se acabam com uma cultura de mais de 400. Parafraseando a frase de uma atriz britânica, Bette Midler, que eu li em um livro do economista Fábio Giambiagi: “quando no relógio do Palácio do Planalto são 14h, no meu é pontualmente 14 de maio de 1888”.

 

Qualquer dúvida, crítica, elogio ou sugestão, mande um e-mail para contato@analiseeconomica.com.br.

 

Para saber mais:

Tucano PSDB: http://www.blogdogordinho.com.br/site/wp-content/uploads/2014/01/tucano-psdb.jpg

Partidos políticos: http://www.tse.jus.br/partidos/partidos-politicos/registrados-no-tse

Coligações: http://g1.globo.com/politica/eleicoes/2014/coligacoes-partidarias/infografico/index.html

Coligações partidárias: http://www.institutophd.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/05/Como-fazer-coliga%C3%A7%C3%B5es-partid%C3%A1rias2.jpg

Lula contra o Bolsa escola: http://www.youtube.com/watch?v=khrWYPd3hRQ

Lula Contra o Plano Real: http://www.youtube.com/watch?v=ymtxOyD-TQU

O PT é contra todas as políticas sociais: http://www.senado.gov.br/atividade/plenario/sessao/disc/getTexto.asp?s=163.1.54.O&disc=5/3/S

Vídeo o PT contra tudo o que hoje defende: http://www.youtube.com/watch?v=RaQPAXz0v1c

DNA do Bolsa Família: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/lei/l10.836.htm

Chevrolet Impala: http://analiseeconomica.files.wordpress.com/2014/10/686ed-impala.jpg

Privatizações: http://www.cartacapital.com.br/economia/a-volta-das-privatizacoes/

Publicidade do PT: http://epoca.globo.com/tempo/noticia/2013/10/bjoao-santanab-o-homem-que-elegeu-seis-presidentes.html

Número de endividados no brasil: http://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2014/05/08/numero-de-endividados-sobe-214-em-abril-e-86-em-um-ano-aponta-spc.htm

Médico negro sofre por votar Aécio: http://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil/2014/10/18/video-medico-negro-sofre-ofensas-racistas-apos-declarar-voto-em-aecio/

Negro consciente vota em Dilma: http://veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/files/2014/10/Negro-consciente.jpg

 

A era dos extremos (ou a história para salvar a política e a economia)

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“A destruição do passado – ou melhor, dos mecanismos sociais que vinculam nossa experiência pessoal à das gerações passadas – é um dos fenômenos mais característicos e lúgubres do final do século XX. Quase todos os jovens de hoje crescem numa espécie de presente contínuo, sem qualquer relação orgânica com o passado público da época em que vivem. Por isso os historiadores, cujo ofício é lembrar os que os outros esquecem, tornam-se mais importantes que nunca no fim do segundo milênio. Por esse mesmo motivo, porém, eles têm de ser mais que simples cronistas, memorialistas e compiladores. Em 1989 todos os governos do mundo, e particularmente todos os ministérios do Exterior do mundo, ter-se-iam beneficiado de um seminário sobre os acordos de paz firmados após as duas guerras mundiais, que a maioria deles aparentemente havia esquecido” (HOBSBAWN, 2012, p. 13).

Esta citação encontra-se na introdução do livro “A Era dos Extremos”, do historiador egípcio Eric Hobsbawn. Ela é conveniente e vem totalmente ao encontro de um artigo publicado pelo economista Antonio Delfim Netto, na edição de hoje (21/10) do jornal Valor Econômico.

No artigo, Delfim argumenta sobre a importância da história para dar conteúdo e embasamento à política e à economia. O ponto central é trazer à tona e mostrar o quão recorrente tem sido à discussão mercado x Estado, a qual Delfim conclui da seguinte maneira: “A história mostra como é ridícula a cíclica discussão mercado x Estado. O primeiro [o mercado] não pode existir sem um Estado constitucionalmente forte para regulá-lo e deixar que ele vá se ajustando para se acomodar às novas exigências sociais”.

De certo modo, é exatamente este o teor da citação que abre esta nota. Ao citar o exemplo dos acordos de paz assinados em 1989 (no fim da guerra fria), Hobsbawn observa que ter analisado mais atentamente os acordos assinados após a primeira e a segunda guerras mundiais teria sido particularmente útil para assegurar que eventuais erros não se repetissem. Em outras palavras, conhecer a história teria dado mais conteúdo a situação política em questão naquele momento.

Para nós, neste momento de eleições, é particularmente útil refletir sobre esta questão, pois por vezes nos vemos perdidos em um mar de fatos e estatísticas jogados ao vento que nos deixam mais perdidos do que contribuem para a tomada de decisão. Conhecer o passado público contribui para o pleno exercício da liberdade e a busca da igualdade de oportunidades.

Entretanto, não somente na época de eleições, mas para a nossa vida, no dia-a-dia, conhecer a história e, sendo mais amplo, ter pleno conhecimento da educação formal que aprendemos na escola (matemática, biologia, geografia, letras, etc.), permite que possamos aproveitar melhor nossa vida e agir com mais liberdade, ou como observa Delfim, “eleva o espírito crítico, (…) ‘empondera’ o cidadão para escolher o caminho da sociedade civilizada que deseja”.

 

Qualquer dúvida, crítica ou sugestão, mande um e-mail para contato@analiseeconomica.com.br ou deixe um comentário abaixo!

 

Para saber mais:

HOBSBAWN, Eric. A Era dos Extremos: O breve século XX (1914 – 1991). São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

http://www.valor.com.br/brasil/3741954/historia-para-salvar-politica-e-economia

 

Créditos da imagem: http://www.faintvisa.com.br/site/img/historia.jpg

A ciência da escassez e as finanças pessoais

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Nós temos explicado que o conceito de escassez remete à ideia de limites e, um bom exemplo de limite é o nosso orçamento pessoal. De acordo com o IBGE, no mês de agosto, o salário médio da maioria dos brasileiros ocupados nas principais regiões metropolitanas foi de R$ 2.055,50. Considerando que são retidos na fonte 9% de INSS e 7,5% de IRRF, então o salário recebido em conta cai para R$ 1.864,30. Considerando ainda que o salário mínimo é de R$ 724,00, estamos falando, então, que o salário médio do brasileiro é 2,5 vezes o salário mínimo. Parece bastante positivo, né? Bem, na média, estes R$ 1.864,30 compõe a restrição orçamentária do indivíduo ou família. Em outras palavras, cada um de nós consome um conjunto de bens, mas enfrenta um limite (que é o nosso salário). Por esta razão, a teoria microeconômica considera que cada consumidor escolhe o melhor conjunto de bens que possa adquirir. Entretanto, no mundo real, diversas estratégias são utilizadas para fazer com que gastemos mais do temos ou além do que podemos: cartão de crédito, cheque especial, empréstimo pessoal, crediário, etc. De acordo com os dados do Serasa Experian, órgão que apura o índice de inadimplência, desde 2009 (base da série histórica do índice), aproximadamente 58% dos brasileiros estão devendo. Estes indicadores mostram a necessidade de lidar melhor com as finanças.

E você, leitor, como lida com as suas finanças? Já passou por apuros? Mande sua história pra gente e, caso tenha alguma dúvida, crítica, sugestão ou elogio, mande um e-mail para contato@analiseeconomica.com.br.

Para saber mais:

http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/trabalhoerendimento/pme_nova/pme_201408tm_03.shtm

http://economia.uol.com.br/empregos-e-carreiras/noticias/redacao/2013/01/01/imposto-de-renda-e-inss-entenda-os-descontos-no-seu-salario.htm

http://portal.mte.gov.br/sal_min/

http://noticias.serasaexperian.com.br/indicadores-economicos/inadimplencia-do-consumidor/

Créditos da imagem: http://c.imguol.com/casaeimoveis/2011/01/10/cofre-porquinho-economia-financas-poupanca-dinheiro-1294678283226_956x500.jpg

Resumo da semana – 13 a 19/out

Análise Econômica 10

13/10/2014 – Regulação do Monopólio: Jean Tirole ganha o Nobel de Economia 2014

Nesta semana, Jean Tirole, economista francês da Universidade de Toulouse, ganhou o Prêmio Nobel de Economia pelos seus trabalhos sobre regulação do monopólio. A gente te explica o que isso significa.

14/10/2014 – A ciência da escassez

As ciências econômicas lidam com um problema do mundo real chamado escassez. Entender que a escassez, por sua vez, indica que as coisas possuem limites e compreender isso é importante para que consigamos lidar com o mundo. Nesta pílula, nós introduzimos o assunto.

15/10/2014 – A queda dos preços administrados do petróleo e a inflação

Esta semana o mercado recebeu uma notícia que beneficiou muito os consumidores e a situação de algumas empresas, como a Petrobrás. Trata-se da queda dos preços do petróleo, insumo básico para muitas das coisas que fazemos no dia-a-dia. Nesta pílula buscamos relacionar a influência da queda do preço do petróleo e a taxa de inflação.

16/10/2014 – A ciência da escassez e o problema da água

Dando continuidade à análise das questões da escassez, buscamos relacionar o problema da falta de água no Estado de São Paulo para compreender melhor como se dão as interpretações sobre os limites que o mundo real nos impõe.

O manifesto economista

Um acontecimento interessante está presente no noticiário nas últimas semanas: a declaração de diversos economistas sobre algumas questões discutidas nestas eleições. Por esta razão, nesta nota a gente comenta um pouco mais sobre esta questão.

17/10/2014 – Desigualdade de renda preocupa o FED

Janet Yellen, presidente do Federal Reserve (FED – Banco Central dos Estados Unidos), em uma de suas declarações, falou sobre a importância da distribuição de renda para promover o crescimento econômico no atual cenário em que se encontra os EUA. Nesta pílula nós relacionamos como lidar com a desigualdade de renda pode mover a economia.

18/10/2014 – Transporte público a R$ 1,20 no Brasil

Em junho de 2013, diversas pessoas foram as ruas conclamar seus direitos, dentre eles, um transporte público de qualidade e a um preço mais justo. Um ano depois, muito ainda se fala sobre o assunto e, estreando sua participação no blog, André Prado fala um pouco sobre a possibilidade de ter um transporte público a R$ 1,20 no Brasil.

Privatização é uma boa alternativa para melhoria na qualidade das rodovias?

Quem viaja pelo Brasil sabe o quão grave é a situação das estradas e rodoviais. Nas últimas décadas, boa parte dos principais trechos rodoviários passaram a ser privatizados, no intuito de melhorar a situação do transporte no país. Nesta pílula, explicamos um pouco mais o impacto de tais privatizações.

 

Qualquer dúvida, crítica ou sugestão, mande um e-mail pra gente em contato@analiseeconomica.com.br ou deixe um comentário abaixo.

Privatização é uma boa alternativa para melhoria na qualidade das rodovias?

rodovias

Os resultados divulgados sobre a situação atual das rodovias pode influenciar diretamente a qualidade de vida de vocês, leitores. A rodovia brasileira sempre foi sinônimo de rodovia perigosa ou mal conservada devido à estrutura ineficiente na qual os veículos disputam o uso das estradas tanto a passeio quanto para o escoamento de carga. Mas como o país utiliza majoritariamente as rodovias como principal fonte de distribuição de cargas, que por sua vez não acompanhou o crescimento da demanda, refletiu na péssima qualidade das rodovias do Estado. Mas para minimizar a péssima qualidade e a ineficiência da administração do Estado, foram realizadas as privatização de alguns trechos que são considerados eixos principais do país. Entretanto, os dados apresentados sugeriram uma leve melhoria por conta de tais privatizações, mas geraram também uma perda do bem estar do usuário, que desembolsara tarifa a ser cobrada (sob a forma de pedágio) por conta da gestão privada das estradas.

Para saber mais:

http://www.valor.com.br/brasil/3738640/pontos-criticos-crescem-nas-rodovias-diz-cnt

http://www.estadao.com.br/noticias/geral,conheca-as-melhores-e-piores-estradas-do-brasil,1577774

http://www.valor.com.br/brasil/3738636/bahia-tenta-atrair-socios-para-megaporto

Credito da imagem:

http://www.direitoeconsumo.adv.br/acidente-de-transito-em-rodovia-e-a-responsabilidade-da-concessionaria-de-servicos-publicos/

Qualquer dúvida, crítica ou sugestão, mande um e-mail para nós em contato@analiseeconomica.com.br ou deixe um comentário abaixo!

Transporte público a R$ 1,20 no Brasil

mplNo Brasil inteiro, muito se têm reclamado sobre os custos com o transporte público e o nível do serviço que é prestado. Vamos entender como funciona essa conta?

O sistema de financiamento do transporte público nacional – com exceção da cidade de São Paulo onde há uma verba prevista em orçamento –, no geral, se dá por arrecadação direta da tarifa desembolsada pelo usuário, ou seja, o próprio cidadão paga. Então, somam-se todos os custos com o transporte e divide-se pelo numero de usuários pagantes, chegando assim no valor da tarifa cobrada atualmente.

Vale lembrar, que os valores mais representativos nessa tarifa são de folha de pagamento, contribuindo em aproximadamente 48% e os gastos com combustíveis, com algo em torno de 20% do custo total. Com isso, observamos que uma simples variação no preço do petróleo (hoje controlado pelo governo) ou até mesmo dissídios aos funcionários, elevará os custos e consequentemente a tarifação do transporte.

Há em outros países, alternativas interessantes para financiamento do transporte, que se aplicado em nosso país, certamente ocasionaria uma diminuição da tarifa ao usuário. Na França, mais especificamente em Paris, há um leque de fontes de financiamento que asseguram que a tarifa não ultrapassebrasil1 40% do custo do sistema. Interessante, não é?! Considerando o valor pago hoje, que é R$ 3,00, se adotássemos um sistema idêntico ao francês, hoje pagaríamos no máximo R$1,20. O restante da tarifa, os outros 60% é todo financiado por fontes externas.

Se multiplicarmos essa diferença de R$1,80 pelo numero de usuários do transporte publico, teríamos um bom dinheiro de volta às mãos das famílias, livre para poupar, investir, consumir… Portanto, exigem-se mudanças significativas, mas, de todo modo, SIM, é possível um transporte público mais barato à população.

 

 

Para saber mais:

http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/nota_tecnica/130714_notatecnicadirur02.pdf

http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/transportes/SPTrans/2013/planilha-tarifa/Planilha-3-vinte.xlsx

 

 

Dúvidas, críticas ou sugestões, mande um e-mail para contato@analiseeconomica.com.br.

 

 

Créditos das imagens (na ordem em que aparecem):

http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/files/2013/06/mpl.jpg

http://renatobinoto.files.wordpress.com/2011/07/brasil1.jpg

Desigualdade de renda preocupa o FED

desigualdade de renda

Em reunião com os jornalistas, a Presidente do Federal Reserve (o Banco Central dos EUA) Janet Yellen, surpreendeu em sua fala ao colocar em pauta sua preocupação com a crescente desigualdade de renda. Segundo palavras dela, é preocupante o aumento da disparidade entre os mais ricos e os mais pobres. Esta abordagem surpreendeu os analistas, pois o FED sempre se preocupou em falar sobre temas macroeconômicos, como Taxa de juros, inflação e crescimento do PIB, mas esta preocupação não deixa de afetar diretamente estes índices e, para fazer o link da importância deste discurso, precisamos entender qual a receita de sucesso para o dinheiro. A moeda, por definição, deve ser um recurso escasso e limitado, porque é isso que assegura seu valor, mas o excesso de acumulação (ou seja, muito dinheiro parado) é prejudicial ao próprio dinheiro, pois quanto menos circulação, maior a chance de um desaquecimento da economia. Trocando em miúdos, água parada cria limo. O dinheiro seria essa água e parado ele não beneficia ninguém. Nem o dono.

Para saber Mais: http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,yellen-alerta-sobre-preocupacoes-com-aumento-da-desigualdade-social,1578333

Tem alguma dúvida, sugestão ou crítica? Mande um e-mail para contato@analiseeconomica.com.br

Créditos da imagem: http://desniveissociais.blogspot.com.br/2010_04_01_archive.html

O manifesto economista

economistas_classicosEsta semana, foi publicado na rede um manifesto assinado por 164 economistas brasileiros que atuam em universidades nacionais e internacionais. O objetivo do documento é rebater temas muito falados entre os candidatos, principalmente pela candidata do PT, Dilma Rousseff. Com suas palavras: “o nosso objetivo é desconstruir um dos inúmeros argumentos falaciosos ventilados na campanha eleitoral”.

Os documentos têm peso importante, pois os economistas que os assinaram são de centros ortodoxos e heterodoxos. Para os pouco familiarizados com os termos, grosso modo, os economistas ortodoxos foram os pioneiros, de escolas clássicas e neoclássicas, mas também podem ser entendidos como os mais voltados para as variáveis quantitativas (inflação, moeda, PIB, etc.) e defensores do livre mercado. Em contrapartida, os economistas heterodoxos são os que divergem da linha de pensamento ortodoxa, ou seja, buscam outras interpretações que são críticas às clássicas e neoclássicas. Geralmente são mais voltadas para políticas sociais, questões ligadas ao desenvolvimento, defendem a forte atuação do Estado na economia, etc.

Em contrapartida, há algumas semanas, também foi publicado outro manifesto assinado por dez economistas de universidade nacionais, com Maria da Conceição Tavares encabeçando o documento, no qual os economistas se posicionaram a favor da candidatura de Dilma.

Traçando um paralelo, há alguns meses, a Empiricus Research, uma empresa voltada a análise de investimentos, publicou um documento intitulado O fim do Brasil. Este documento apresenta uma crítica feroz sobre a política adotada pelo governo Dilma, no que se chamou de “nova matriz econômica”, ou seja, o foco no consumo, os gastos públicos e na cessão de crédito, diferentemente do tripé macroeconômico (superávit primário, metas de inflação e câmbio flutuante) mantido antes de seu governo. Além da Empiricus, Alexandre Schwartsman,  ex-diretor de assuntos internacionais do Banco Central do Brasil entre 1999 e 2001 e colunista do jornal Folha de São Paulo, também fez críticas à atuação da instituição na condução da política monetária.

Sabe o que todos estes documentos têm em comum? Foram extremamente criticados por conta das opiniões emitidas. Na ocasião da crítica de Schwartsman, 40 economistas também se reunirão e fizeram um manifesto no qual desaprovavam a ameaça de processá-lo feita pelo BACEN.

Mas, vamos recorrer a um pouco de teoria para nos ajudar. A ciência econômica é uma ciência social aplicada e, por esta razão, não possui regras e leis fixas como nas ciências naturais ou exatas. Entretanto, a ciência econômica é composta por diversas correntes de pensamento ou “escolas de pensamento”.

Em linhas gerais, uma escola de pensamento é caracterizada pela união de diversos pensadores ao redor de uma ideia, por exemplo: os clássicos defendiam o equilíbrio geral da economia; os keynesianos defendiam a existência de desemprego involuntário; etc.

Mas existem métodos para que cada uma destas escolas de pensamento possa chegar as suas conclusões. Um desses métodos é a criação de modelos. Cada modelo econômico possui algumas premissas e, de forma muito simplista, está inserido num desses grandes grupos (ortodoxos ou heterodoxos).

A relevância de se destacar que existe um método é que, no âmbito científico, para que alguma afirmação seja questionada e sua ineficácia provada, ou seja, para provar que suas conclusões são erradas, é necessário provar que as premissas ou o próprio modelo em si está errado.

A divulgação destes manifestos por parte dos economistas tem mostrado que ainda há muito que se contribuir para a discussão e proliferação do conhecimento em economia. Mas por outro lado, principalmente no caso do manifesto assinado pelos 164 economistas, é evidente que existe um grande compromisso da parte destes profissionais com o desenvolvimento econômico do país, independente da escola de pensamento, seja ortodoxa ou heterodoxa. Mas também fica evidente algo como um paradoxo: todos concordam com o objetivo final, ou seja, o desenvolvimento do país, mas cada economista enxerga sob uma ótica diferente, por conta dos modelos com os quais interpretam o mundo. Esse paradoxo é benéfico para a discussão econômica e científica e contribui cada vez mais para a construção de um país melhor.

 

Para saber mais:

https://sites.google.com/site/manifestoeconomistas/

http://academiaeconomica.com/2008/04/ortodoxos-vs-hetrodoxos.html

http://epocanegocios.globo.com/Informacao/Acao/noticia/2014/10/economistas-se-dividem-entre-apoio-dilma-e-aecio.html

http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/10/1532618-economistas-e-professores-assinam-manifesto-contra-pt.shtml

http://veja.abril.com.br/blog/mercados/economia/164-economistas-nao-ha-crise-internacional/

http://veja.abril.com.br/noticia/economia/em-manifesto-economistas-dizem-que-crise-alardeada-por-dilma-nao-existe

http://brasileconomico.ig.com.br/brasil/economia/2014-09-10/pressionado-bc-desiste-de-acao-contra-o-economista-alexandre-schwartsman.html

http://veja.abril.com.br/noticia/economia/acao-contra-schwartsman-e-incompativel-com-democracia-dizem-economistas-em-manifesto

http://www.infomoney.com.br/mercados/eleicoes/noticia/3635648/164-economistas-criam-manifesto-rebatem-dilma-nao-crise-internacional

http://www.empiricus.com.br/o-fim-do-brasil/

http://www.brasildefato.com.br/node/30139

http://brasildebate.com.br/economistas-com-dilma-o-brasil-nao-quer-voltar-atras/

 

Dúvidas, críticas ou sugestões? Mande um e-mail pra gente: contato@analiseeconomica.com.br

 

Créditos da imagem: http://bit.ly/11wJk8p

A ciência da escassez e o problema da água

falta_de_agua-47247Que a ciência econômica lida com a questão da escassez, isso parece um pouco mais claro, mas como isso funciona? Bem, vamos nos valer do problema da falta de água em SP para explicar melhor. A água é um recurso primordial para a vida, em contrapartida, é um produto primário, por sua relativa abundância e necessidade quase nula de produção. Isso significa que o custo para extraí-la é bastante baixo. Apesar de sua importância, por conta da utilidade que tem para nós, é o fato de sua relativa abundância que pode confundir um pouco as interpretações. 75% do planeta terra são compostos por água, mas somente 3% deste percentual são potáveis, mas somente 0,8% estão em condições para o consumo humano. É uma grande diferença! Reconhecer que somente 0,8% de toda água do mundo pode ser consumida é reconhecer que existe um limite para este consumo e, por definição, se existe um limite, é necessário que as escolhas de como usar este recurso sejam bem planejadas. Entretanto, este problema envolve três facetas: natureza, economia e política. A natureza tem seus ciclos e precisam ser respeitados; a economia possui as ferramentas para fazer a gestão dos recursos, mas o uso deste instrumental depende da decisão de outros; logo, o pano de fundo são as questões políticas, em outras palavras, fazer o uso adequado da água depende da tomada de decisão de quem é responsável pela gestão deste recurso. E o impacto das decisões tomadas podem ser os mais adversos possíveis: secas, queda da atividade agrícola e industrial, aumento da poluição, inflação de custos, inflação de demanda, dentre outros problemas. Então, você concorda ou discorda? Mande um e-mail pra gente em contato@analiseeconomica.com.br ou deixe um comentário abaixo e vamos nos aprofundar nesta discussão.

 

Para saber mais:

http://bit.ly/1F3UXmD

http://bit.ly/1sVzUxY

http://bit.ly/1F3V4P9

http://bit.ly/1wclw59

http://bit.ly/1stWewQ

http://bit.ly/1pgCGZk

 

Créditos da imagem: http://bit.ly/1txCFY1