Eleições 2014 – escolha o seu economista

A eleição deste ano já está sendo considerada por muitos, uma das mais concorridas da história brasileira. E, uma questão em especial já tem se mostrado central nos debates entre os presidenciáveis: economia. Muito se fala sobre taxa de juros, inflação, banco central, infraestrutura, déficit público, desemprego, PIB, dentre várias outras questões. E foi pensando nisso que decidimos trazer para vocês um resumo dos programas econômicos de governo de cada um dos candidatos, mas, principalmente, uma breve reflexão sobre os economistas que estão auxiliando os candidatos à presidência este ano.

Onze partidos/coligações lançaram candidatos para o mais alto posto do executivo nacional, sendo eles:

 

Candidatos e suas respectivas legendas
Candidatos e suas respectivas legendas

 

Segundo resultados das últimas pesquisas realizadas, os três candidatos com maiores intenções de voto são: Dilma Rousseff, Marina Silva e Aécio Neves. Sabemos de todos os planos econômicos destes candidatos, porém o que muita gente não sabe é que eles não planejam e nem governam sozinhos. Existe uma equipe de economistas e demais profissionais especializados, que são responsáveis pelo plano de governo, que é obrigatoriamente apresentado ao TSE para validar sua candidatura. Como este é um blog de economia, nada mais justo que falarmos sobre os economistas por trás do plano de governo de cada um deles.  Veja a seguir um breve panorama destes economistas e seus principais trabalhos:

 

DilmaLuiz Gonzaga Beluzzo

O professor Beluzzo é formado pela UNICAMP (Universidade de Campinas), em Sociologia, mas seu Doutorado foi em economia. Já escreveu diversos livros sobre o capitalismo e seu funcionamento. Possui um viés mais de esquerda, ou seja, defende maior presença do Estado na economia. A própria UNICAMP tem a característica de formar economistas com uma linha de pensamento keynesiana (relacionada às teorias do economista John Maynard Keynes). Esse traço é evidente quando analisamos como foi o governo Dilma (e o governo do PT, de modo geral), bem como seus atuais planos de governo.

MarinaAndre Lara Resende e Eduardo Gianetti da Fonseca

A dupla Resende e Gianetti possuem uma linha de pensamento que pode ser considerada pró-mercado. Mas considerando individualmente suas habilidades, é possível concluir que a atuação conjunta de ambos, leve a uma política mais de centro: nem tanto mercado, nem tanto social. Resende possui doutorado no MIT (Massachusetts Institute of Technology), nos Estados Unidos, enquanto Gianetti possui doutorado pela Universidade de Cambridge, na Inglaterra. Ambos defendem um Banco Central mais autônomo, bem como o tripé macroeconômico (metas de inflação, câmbio flutuante e metas).

Aecio

Armínio Fraga e Mansueto de Almeida

Ambos, Fraga e Almeida, possuem características mais voltadas ao crescimento econômico e ao mercado. Armínio Fraga já foi presidente do Banco Central na gestão do ex-presidente FHC,  enquanto Mansueto de Almeida é profissional de carreira no IPEA. Ambos tem herança de formação nas escolas americanas, Fraga na Universidade de Princeton e Almeida no MIT. As propostas trazidas por estes economistas giram em torno do já consolidado tripé macroeconômico, que foi, inclusive, criado pelo Armínio Fraga.

Os Queridinhos das redes sociais

No dia 26/08 houve o primeiro debate presidencial na Band e aqui faremos uma menção honrosa. Os candidatos Luciana Genro e Eduardo Jorge, que apesar de não serem sequer citados como destaque pelos jornalistas ali presentes, nas redes sociais foram os campeões de audiência. Os dois permaneceram por mais de 12 horas nos trending topics do Twitter e o candidato Eduardo Jorge chegou a aos TT’s Mundiais durante a exibição do debate.  Os TT’s da Candidata Luciana Genro chegaram mais tarde, após o debate, porém até as 17 horas do dia 27, seu nome ainda estava nos assuntos mais relacionados. Disponibilizamos o Link para o acesso das propostas de cada um logo abaixo:

Luciana

Luciana Genro

http://psol50.org.br/site/paginas/2/programa

 

Eduardo

Eduardo Jorge

http://pv.org.br/opartido/programa

 

 

Para saber mais:

http://noticias.br.msn.com/especial/eleicoes-2014/veja-os-candidatos-presidenciaveis-das-eleicoes-2014-1#image=1

http://divulgacand2014.tse.jus.br/divulga-cand-2014/eleicao/2014/UF/BR/candidatos/cargo/1

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/08/140820_eleicoes_conselheiros_pai_jf.shtml

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/08/140819_pontos_fracos_presidenciaveis_lgb.shtml

http://brasileconomico.ig.com.br/financas/mercados/2014-08-18/ibovespa-sobe-apos-pesquisa-eleitoral-ja-com-marina-no-pareo.html

http://henriquebarbosa.com/conselheiros-de-aecio-e-marina-convergem-em-politica-economica/

http://www.valor.com.br/brasil/3658784/estado-brasileiro-nao-cabe-no-pib-diz-giannetti

http://blogdosaposentados.com.br/as-questoes-economicas-que-pautam-dilma-aecio-e-campos/

http://politica.estadao.com.br/noticias/eleicoes,dilma-a-gestora-agridoce,1548542

http://politica.estadao.com.br/noticias/eleicoes,marina-deus-e-a-nova-politica,1548548

http://politica.estadao.com.br/noticias/eleicoes,aecio-de-pos-lula-a-antipetista,1548551

Crescimento e desenvolvimento econômicos: qual a diferença?

Ontem à noite, aconteceu na BAND o debate entre os candidatos ao mais alto posto do executivo no país: a presidência da república. Muitos temas foram discutidos, dentre eles, questões sobre crescimento econômico e desenvolvimento econômico. É comum escutar estes termos juntos e, por vezes,  eles até são usados como sinônimos. Mas no fundo, você deve se perguntar: existe diferença entre eles? E eu te respondo: sim! Na realidade, existem muitas maneiras de explicar diferenças e semelhanças entre estes conceitos. Uma que nos parece mais clara é a que se relaciona com a evolução da sociedade e da economia, de modo geral. Até o começo do século XX, quase não se falava em desenvolvimento econômico, mas somente em crescimento, pois a população mundial era pequena, os países eram pouco integrados e tal, logo, ainda havia muito espaço para crescer. Com o passar do tempo, questões como: saúde pública, educação, tecnologias, pobreza/riqueza, dentre outras, foram tornando-se mais complexas e resolvê-las tornou-se necessário. Então, percebeu-se que não bastava crescer, mas distribuir, tornar mais igualitário, dividir melhor o bolo. Maaass, é aí que entra a confusão. Desenvolvimento é algo amplo, que envolve pelo menos quatro aspectos: biológico, cultural, político e econômico. Por esta razão, quando se referia ao desenvolvimento econômico em especial, era muito comum se confundir com crescimento. Até hoje, para muitos economistas, a melhor medida de desenvolvimento econômico é a renda per capita, ou seja, a renda de todos os brasileiros (salários, aluguéis, juros recebidos, lucros recebidos, etc) dividido pelo quantidade total de brasileiros. Bem, o que nos parece mais claro é que crescimento econômico está diretamente relacionado com aumento da produção, queda da inflação, controle de juros, etc. Já o desenvolvimento econômico está relacionado, na verdade, com o bem-estar, qualidade de vida, distribuição de recursos, dentre outras características. A renda entra nessa conta, pois o aumento da renda permite alcançar melhores condições de vida. Mas a renda por si só, principalmente a renda per capita, não é um bom indicador de desenvolvimento econômico. Ela deve ser analisada junto com outros indicadores como Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), Índice de Concentração de Renda (Índice de Gini), etc.

Para saber mais:

http://www.economiaerealidade.com/2007/05/diferenas-entre-crescimento-econmico-e.html

http://noticias.uol.com.br/ultnot/efe/2007/05/23/ult1766u21837.jhtm

http://www.bresserpereira.org.br/Papers/2007/07.22.CrescimentoDesenvolvimento.Junho19.2008.pdf

http://politica.estadao.com.br/noticias/eleicoes,dilma-evita-marina-em-debate-e-aecio-tenta-ligar-ex-ministra-ao-pt,1550069

http://dinheiropublico.blogfolha.uol.com.br/2014/08/27/promessa-de-marina-a-saude-reduziria-poupanca-do-governo-pela-metade/

O atraso em infraestrutura e como Max Weber pode explicar isso

Hoje, em reportagem do Estadão, está em destaque a notícia de que cerca de 30% das obras de concessões das rodovias estão em atraso. Não é de hoje que vemos notícias deste tipo nos noticiários. Faz pouco tempo que presenciamos ansiosos a chegada do dia 12 de junho para saber enfim se daria tempo ou não de concluirmos as obras da copa. A maioria foi entregue. O que não foi entregue foi maquiado e colocado em atividade como se estivesse pronto. Fato é que a copa foi um sucesso, os visitantes adoraram e por aí vai, mas, porque em todas as obras da esfera pública nós vemos este entrave? Não dá pra simplificar? Sim, é possível! Mas não é conveniente nem para o governo e nem para as empresas prestadoras de serviço. Mas não comece a xingar ninguém, eu explico: existe um termo chamado burocracia, que é comumente falado, mas pouco compreendido. Este conceito foi defendido fortemente pelo economista alemão, Max Weber. A burocracia para ele é um sistema no qual o processo administrativo está acima dos agentes tomadores de decisão (governantes, empresários), sendo assim, independente dos interesses destas partes, as etapas precisam ser rigorosamente cumpridas, relatadas e fiscalizadas para a manutenção do Estado sem interferências pessoais destes agentes. Sendo assim, porquê não dá certo no Brasil? Simples: a diferença entre o antídoto e o veneno está justamente na dose! A burocracia é uma ótima ferramenta de controle e gestão, sendo largamente utilizada até hoje, mas o excesso de burocracia causa lentidão e atraso. Você pode ver isso, não somente na esfera pública, mas no trabalho, na escola ou na faculdade, como aquele formulário interminável que você precisa preencher, mesmo quando eles já tem todas as suas informações no sistema. No caso, o “veneno” da burocracia excessiva na esfera pública é bem pior, pois facilita a corrupção. Se o sistema é muito travado, aparecem os “facilitadores” que por acaso conhecem uma jeito de fazer com que a obra siga o ritmo e nos casos em que ele não aparece estão deste grupo de obras não entregues no prazo.
 
Para saber mais:
 
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Votorantim, empreendedorismo e economia

Ontem à noite, dia 24, morreu o empresário Antônio Ermírio de Moraes. Para que não o conhece, o Dr. Antônio Ermírio (como era chamado por muito) era presidente do Grupo Votorantim, um dos maiores no Brasil. O Grupo Votorantim atuava em diversas áreas, como siderurgia, papel e celulose e, inclusive, setor financeiro, por intermédio do Banco Votorantim. O Dr. Antônio Ermírio também já se aventurou em outras praias como literatura (tenho ganhado a cadeira número 23 da Academia Brasileira de Letras), política (tendo se candidatado ao governo de São Paulo, em 1986), filantropia, teatro, dentre outras atividades. Pensar em sua carreira a essa altura do campeonato parece nos propor as seguintes reflexões: qual o papel do empreendedor na economia? O que o motiva a empreender? Como criar um ambiente que motive o empreendedorismo? Essas reflexões vem ao encontro da atual situação brasileira, como relatada nas mais diversas mídias: baixo crescimento, baixa inovação, baixa produtividade e eficiência. Alguns economistas (notadamente Joseph Alois Schumpeter, um dos pioneiros do assunto “empreendedorismo”), defendiam a importância da inovação nos ciclos econômicos (logo mais a gente define essas teorias para vocês!). Schumpeter dizia que o empreendedor tinha um papel crucial, principalmente nos momentos de crise, ou de “baixa”, pois ele criava e inovava de tal forma que contagiava a economia como um todo e criava um novo ciclo de alta. Diversos ciclos ascendentes, quando criados repetidamente, levavam, de alguma forma, ao desenvolvimento econômico tão sonhado por todos os países! Assim, pensando em tantos outros países que conseguiram avançar em seus indicadores de desenvolvimento econômico, acredito que desburocratizar os processos de abertura e fechamento de empresas, simplificar a tributação, fomentar a inovação, dar suporte aos empreendedores (com iniciativas como o SEBRAE, por exemplo) e melhorar a infraestrutura são caminhos que levam a ciclos ascendentes de inovação e, consequentemente, nos encaminham ao tão sonhado desenvolvimento econômico.

Para saber mais:

http://www.valor.com.br/empresas/3666080/morre-em-sao-paulo-o-empresario-antonio-ermirio-de-moraes

http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,morre-aos-86-anos-o-empresario-antonio-ermirio-de-moraes,1549160

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2014/08/1505368-aos-86-morre-o-empresario-antonio-ermirio-de-moraes.shtml

http://pt.wikipedia.org/wiki/Joseph_Schumpeter

 

Qualquer dúvida, sugestão ou comentário, mande um email pra gente ou deixe seu comentário logo abaixo!

A inadimplência no Brasil e suas consequências para o desenvolvimento.

 

“Compre seu carro agora!” “Abra um crediário conosco!” “Planos facilitados, venha conferir!”. O ano era 2010, e não faz muito tempo, então eu acredito que muitos de vocês leitores se lembram deste período de que alguns economistas mais otimistas chamavam de “pequeno milagre econômico”. O governo disse ao povo, “pode comprar!”, e o povo mais que prontamente atendeu aos anseios do planalto e foi as compras. Parcelou, comprou, adquiriu e em muitos casos estão sentindo agora os impactos destes bens adquiridos. Segundo a reportagem do jornal O Estado de S. Paulo com base no relatório divulgado pela SERASA, o número de inadimplentes bateu o recorde de 57 milhões. Se colocarmos em contraponto com a população economicamente ativa (maiores de 14 anos, empregados e trabalhadores autônomos) que é em torno de 130 milhões trata-se uma parcela considerável da população. Fatores como a falta de educação financeira é um dos principais motivos, pois na maioria dos casos a inadimplência surge, pois não foram considerados os imprevistos no médio e longo prazo. Um exemplo simples: João recebeu uma promoção e está muito otimista. Pensou em  utilizar este novo valor que passaria a receber com a promoção, adicionado ao das horas extras (vamos chamar este novo valor de renda variável)para investir em um carro, parcelando este bem em 72 vezes. Após um ano, João já estava com o seu carro e pagando em dia seus compromissos com esta nova renda, porém, os negócios  na empresa em que João trabalha não estavam tão bem quanto no período anterior e as horas extras foram cortadas. Infelizmente o cenário continuava pessimista para as empresas, que se viram obrigadas a reduzir seus quadros de funcionários. João estava neste quadro e foi demitido. Passou então a não contar mais com essa renda para cumprir seus compromissos assumidos. Dessa pequena historinha podemos tirar um exemplo do nosso comportamento imediatista frente aos compromissos de longo prazo. Entendo que existam bens necessários que precisam ser adquiridos com uma certa urgência, porém o que não podemos fazer é assegurar altos compromissos sem uma base sólida (neste caso, garantir uma pontualidade de pagamentos a prazo com uma renda variável).Não é seguro. Receita variável jamais deve ser confundida como receita permanente, pois ainda não inventaram uma máquina do tempo ou de previsão do futuro. Sendo assim, vale a pena buscar ajuda de um especialista em finanças, quando estas oportunidades (essa renda extra)aparecerem. Entrar nas estatísticas de inadimplência não é saudável nem pra você, nem para o resto do país, acredite.

 
Para saber mais:
 
 

Autonomia do Banco Central? Mas, afinal, o que é um banco central?

Há muitos anos que o tema “autonomia do Banco Central” tem estado presente nas discussões políticas e econômicas. Mas, antes de entrar nesse ponto, talvez você se questione: o que é um Banco Central? Basicamente, um Banco Central (apelidado de BACEN) é o “xerife” do sistema financeiro. A maioria dos países tem um, mas o Banco Central do Brasil foi fundado em 31 de dezembro de 1964 (o BACEN mais antigo do mundo – na Suécia – foi fundado em 1668!!!). Dentre as suas funções, estão: emitir moeda (em papel e metálica), realizar controle do crédito no país, fazer o controle das instituições financeiras, manter as reservas internacionais (quantidade de dólares, euros, etc.) em nível adequado, dentre outras atribuições. A importância de um BACEN é indiscutível, pois o dinheiro tem um papel central em muitas atividades da nossa vida e, um BACEN forte e presente, garante que tudo funcione direitinho. Agora que sabemos o que é um Banco Central, podemos questionar: é benéfico ou não que ele seja autônomo, ou seja, independente do setor público? Esse tema é bastante discutível. Considerando que as instituições financeiras (bancos comerciais, bancos de investimentos, etc.) objetivam o lucro e o BACEN, por estar acima de tais instituições, iria zelar por estes objetivos, poderíamos ter distorções gravíssimas no sistema financeiro nacional e levar muitas empresas a falência, altos níveis de inadimplência, etc. Contudo, sob a gestão do setor público, é possível assegurar, ao menos, que os interesses da sociedade como um todo (representada pelo Estado/governo), mas ficamos passíveis de corrupção. Nos Estados Unidos, o BACEN se chama FED (Federal Reserve, ou Reserva Federal) e é grande defensor da independência dos Bancos Centrais. Mas, veja que engraçado: eles mesmo não mantém o BACEN deles totalmente independente. Só que há um porém: o FED sofre grande influência dos bancos privados e, eventualmente, isso gera problemas graves, como a crise financeira de 2008. Depois dessa pequena história, vale a reflexão: o que é melhor, um Banco Central independente ou não-indepentende?

Para saber mais:

http://www1.folha.uol.com.br/poder/poderepolitica/2014/05/1452242-bc-pode-ficar-como-esta-diz-febraban.shtml

http://www1.folha.uol.com.br/poder/poderepolitica/2014/08/1504058-entrevista-com-neca-setubal.shtml

http://www.bcb.gov.br/?LAICOMPETENCIAS

http://pt.wikipedia.org/wiki/Sveriges_Riksbank

http://pt.wikipedia.org/wiki/Federal_Reserve_System

Compulsório e crédito. De onde vem, para onde vão?

Após recebermos várias notícias relacionadas ao fraco crescimento do PIB, o Banco Central resolveu reagir e disponibilizar 25 bilhões para reanimar a economia. Sabe de onde vem esse dinheiro? Da sua conta! Mas calma, não se desespere, eu explico: além das operações comerciais, direcionadas aos clientes, os bancos devem prestar contas ao Banco Central (BACEN), que é o regulador de todos eles. Dentre várias regras a serem seguidas, o BACEN estipula que uma parte de todos os depósitos realizados pelos seus clientes permaneçam nos cofres dos bancos, por questões de segurança. Isso é o compulsório. Assim, se todos os clientes resolvessem correr aos bancos e sacar tudo de suas contas não seria possível, mas fiquem tranquilos, pois a probabilidade disso acontecer é menor do que a de um asteroide cair no palácio do planalto. Então tá, mas o que é feito com esse dinheiro? É através dessa base financeira que os bancos disponibilizam pra você, cliente, as linhas de crédito. O empréstimo que hoje em dia você pode pedir até pela máquina eletrônica, sabe? Então, ele vem da base de todos os depósitos bancários, depois de reservados os compulsórios exigidos pelo BACEN . As taxas de juros são calculadas de acordo com os índices de inadimplência e o montante de compulsórios que cada banco tem. Quanto maior a base, maior a segurança. Então você me pergunta se os bancos usam todo esse dinheiro e eu te digo, não, não usam. Aí entra uma outra regulação do BACEN. É ele que estipula qual o montante a ser utilizado pelos bancos periodicamente, para que a coisa não saia do controle e o objetivo inicial (estabilidade monetária) seja alcançado. Pois bem, agora entendemos que quando o BACEN diz que vai disponibilizar 25 Bilhões de reais para reanimar a economia, significa que ele permitirá que os bancos coloquem em circulação este valor para aumentar a circulação de dinheiro no mercado. Mais dinheiro no mercado gera mais consumo, que gera mais produção, que gera mais riquezas, que geram mais depósitos bancários e assim sucessivamente. Claro que isso é só uma hipótese que o banco central utiliza para fomentar a economia. Se deu certo na última década, pode ser que dê certo nessa também.

Para saber mais:

 

Todo mundo fala em educação, mas para quê, afinal?

Hoje (20 de agosto de 2014), o jornal Estadão publicou matéria ressaltando o desempenho negativo dos alunos do ensino médio da rede estadual paulista nas avaliações de Português e Matemática. Lembrei-me de um questionamento que a maioria de meus colegas de classe da época do ensino médio costumavam fazer: “mas para que eu preciso aprender equação do 2º grau se eu não vou usar isso na minha vida?” ou “mas para que me serve literatura se eu não vou ser professor de português, nem escritor de romances?”. Bem, eu faço essa pergunta aos leitores: para que nos serve tudo que aprendemos na escola? Simplesmente para nos garantir um emprego melhor no futuro? O caminho é mais ou menos este, mas existem mais questões envolvidas. Alguns cientistas costumam dizer que existe uma divisão entre o que se chama “ciência básica” (português, matemática, biologia, física, história, etc.) e “ciência aplicada” (economia, medicina, administração, engenharia, direito, etc.). Uma depende da outra e as duas, conjuntamente, determinam o nível de desenvolvimento de um país. Prometo dissertar mais sobre desenvolvimento em outro post, mas pelo menos por ora, é importante saber que sem os conhecimentos das ciências básicas, não é possível desenvolver uma ciência aplicada de qualidade e, assim, torna-se cada vez mais difícil criar um ambiente de desenvolvimento que melhore a qualidade de vida de todos os cidadãos. Por exemplo, com o aprendizado em matemática consolidado, é possível que o país tenha engenheiros cada vez melhores para desenvolver uma infraestrutura de qualidade no país; também é possível ter economistas cada vez melhores para distribuir mais assertivamente os recursos disponíveis. Com conhecimentos em biologia bem consolidados, teremos médicos cada vez melhores, biólogos cada vez mais bem preparados para lidar com questões cada vez mais complexas que surgem. Não se trata somente de conquistar um bom emprego, mas também de alcançar um nível de qualidade de vida e desenvolvimento cada vez melhores. Claro que com níveis de conhecimento cada vez mais consolidados, a produtividade média aumenta e os salários aumentam (leia mais clicando aqui), mas não somente com aumento de renda se alcança qualidade de vida. Com níveis educacionais cada vez melhores e consolidados alcançamos níveis culturais mais efetivos, melhoras na estrutura política e social do país, dentre outros ganhos. Com essa breve análise, eu refaço a pergunta: para que nos serve tudo que aprendemos na escola?

Para saber mais:

http://educacao.estadao.com.br/noticias/geral,ensino-medio-no-estado-de-sao-paulo-tem-pior-nivel-em-6-anos,1546438

http://saresp.fde.sp.gov.br/2014/

http://ideb.inep.gov.br/

O que a produtividade da economia tem a ver com o meu salário?

Aumento de salários, acordos sindicais, dissídios. Nos últimos meses nós vimos estes assuntos aos montes na mídia. Mas porquê as empresas simplesmente não reajustam estes salários de acordo com as demandas sindicais? Funcionário bem remunerado é funcionário produtivo, correto? Nem sempre. Todo aumento salarial deve estar atrelado a produtividade da empresa. Se a empresa produz, a margem de lucro aumenta e aumenta a margem remuneração. Não podemos deixar de lado também os interesses do agente empregador em aplicar uma aumento de remuneração. Dados divulgados pela consultoria Americana HayGorup, referência mundial em remuneração, informa que existe uma tendência global em desaceleração nos aumentos salariais, entretanto o Brasil tem uma previsão de aumento de 6,1% em relação ao realizado em 2013, de 0,6%. Ok, 6,1% até que parece um número significativo, além de seguir um movimento contrário a corrente global de desaceleração salarial e tudo mais. Entretanto, este aumento não é percebido pelos colaboradores se a inflação acumulada for superior a isto. Segundo o último relatório do Bacen, a inflação medida pela variação do IPCA chegou a 6,4% nos últimos doze meses. Próximo, mas não superior, o que não dá uma sensação de aumento real. Isto explica a insatisfação dos colaboradores em relação aos seus salários. Mas e quanto a resistência dos empregadores em oferecer um ajuste real? Encontramos esta resposta no PIB, que é o resultado de todas as riquezas produzidas (guarde esta palavra: produzidas) neste período. As previsões dos analistas para este indicador não são nem um pouco otimistas. Segundo o site do G1, a previsão de crescimento do PIB em 2014 foi reajustada esta semana pela décima segunda vez, ficando em 0,79% para o  ano de 2014. Então, respondendo a pergunta feita no começo deste texto: Se eu, empregador, reajusto o salário próximo da inflação, mas eu não encontro um aumento da produtividade, logo não me sinto seguro para investir em capital humano. Se eu, colaborador, percebo que minha capacidade de rendimentos está diminuindo com o passar do tempo (efeito da inflação) eu me sinto desmotivado a produzir. Esse assunto é extenso e eu vou retomá-lo em outros posts, mas o que você leitor deve se atentar são nestes três indicadores que precisam estar em equilíbrio: O PIB, a taxa de inflação e o aumento médio de salários. Se eles não estiverem em sintonia, não haverá acordo sindical ou empresarial que se sustente.

Para saber mais:

http://atrium.haygroup.com/br/our-products/misc.aspx?ID=4299

http://www.bcb.gov.br/htms/relinf/direita.asp?idioma=P&ano=2014&acaoAno=ABRIR&mes=06&acaoMes=ABRIR

http://g1.globo.com/economia/mercados/noticia/2014/08/mercado-baixa-previsao-de-alta-do-pib-pela-12a-semana-seguida.html

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/05/140519_produtividade_porque_ru.shtml

Laissez faire, laissez aller, laissez passer e as origens do pensamento econômico moderno

A ideia do “laissez faire” remonta ao século XVII, período em que o iluminismo europeu floresceu com as teorias de diversos filósofos, dentre eles (e de suma importância), Adam Smith, tido como o pai da Ciência Econômica Moderna. No entanto, somente no século XVIII é que a filosofia da ilustração veio atingir seu ápice com filósofos como Locke, Montesquieu, Voltaire, Kant, Hume, Marquês de Pombal, o próprio Smith, entre outros.

O iluminismo consiste, basicamente, em um conjunto de teorias filosóficas, sociais, políticas e religiosas que resgatou o pensamento científico e o trouxe para explicar o pensamento e a ação humana. A partir desse período, posterior ao Renascimento, o homem resgatou antigos valores vivenciados na incipiente civilização grega e voltou a ser protagonista de sua própria história.

A expressão “Laissez faire, laissez aller, laissez passer” significa, literalmente, “deixai fazer, deixai ir, deixai passar”. Ela tem origem com François Quesnay, da escola de pensamento fisiocrata, da França, médico da corte do Rei Luis XV, mas foi incorporada por uma corrente econômica que defende a existência de um mercado onde as trocas comerciais funcionem livremente. Adam Smith foi o principal defensor dessa teoria, e complementou-a dizendo que o comércio internacional, isento de impostos alfandegários, traria maiores benefícios para as nações envolvidas do que a proteção da produção nacional.

Em sua obra máxima, “A Riqueza das Nações”, Smith explanou essa ideia e disse que “não existe arte mais desenvolvida nos governos do que a de aprender com outros governos novas maneiras de arrancar dinheiro do bolso das pessoas”. Dessa forma, além de corroborar a ideia de um mercado sem barreiras, introduziu a teoria do liberalismo econômico.

O liberalismo econômico defende o funcionamento do mercado sem a intervenção estatal, sendo que o mercado resultará do exercício das forças de oferta e demanda. Smith chamou a ação conjunta destas forças de “mão invisível” e esse modelo foi fortemente defendido e desenvolvido por várias décadas.

Dando um salto na história e chegando ao século XX, tivemos a crise de 1929, o “crash” da bolsa de Nova York, também conhecida como “A Grande Depressão”. Essa crise levou milhares de pessoas a perderem todas as suas reservas financeiras, perderem empregos, casas, entre outros bens acumulados durante suas vidas. Em 1944 na conferência de Bretton Woods, a ideia do liberalismo econômico foi amplamente questionada, pois foi essa a ideologia que levou o mundo a viver esta profunda crise.

A partir desse momento, passa a ser defendida uma nova ideologia econômica, conhecida como Welfare State (Estado de bem estar), ou seja, o Estado é tido como agente da promoção (protetor e defensor) social e organizador da economia, regulamentador de toda vida e saúde social, política e econômica do país. Essa teoria pautou boa parte do século XX e encontrou como grande formulador o economista inglês John Maynard Keynes, que contribui para o nascimento de instituições internacionais como o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o Banco Mundial.

Não obstante, em meados da década de 1960 um novo pensamento foi sendo moldado em resposta ao Welfare State e a estagflação (entende-se por estagflação a associação simultânea de estagnação econômica – caracterizada por crescimento zero ou quase zero e aumento do desemprego – com inflação – caracterizada por aumento de preços) que muitos países viviam na época. Esse pensamento foi chamado de Neoliberalismo e teve Milton Friedman e Friedrich A. von Hayek, como seus principais teóricos.

O Neoliberalismo pode ser entendido como uma evolução do Liberalismo clássico e defende a liberdade de funcionamento do mercado, no entanto, com um grau mínimo de interferência do Estado, sendo de sua responsabilidade setores imprescindíveis da economia e, além disso, resgatar o mercado quando de grandes crises. A teoria Neoliberal (com todas suas variações históricas) rege as economias até hoje.

É interessante ressaltar que ao longo da história surgiram algumas teorias que são chamadas, de modo geral, de heterodoxas, ou seja, que vão contra a corrente de pensamento vigente. Notadamente, um dos maiores formuladores de uma teoria heterodoxa é Karl Marx, que com suas análises do modo de produção capitalista, contribuiu com a compreensão do próprio sistema e com o fortalecimento de setores da economia em defesa dos trabalhadores, como os sindicatos, associações de classe, etc. Suas análises também envolviam a centralidade do Estado como orquestrador da atividade econômica de uma nação.

Após essa breve análise histórica dos principais grupos de teorias econômicas percebemos que, com o passar do tempo, o pensamento econômico teve suas nuances entre o livre funcionamento do mercado e a intervenção do estado nesse mercado. Até hoje, essa é uma discussão muito presente na vida política e econômica. Economistas como Stiglitz, Krugman, Piketty, Chesnais, dentre outros, acreditam ainda na importância do papel do Estado como articulador da economia. Mas economistas como Mankiw, Blanchard, dentre outros, ainda defendem a importância de um mercado livre de intervenção. Acreditamos, assim, que vale a pena questionarmo-nos sobre até que ponto é benéfico um sistema econômico livre ou com intervenção estatal.

PS.: texto originalmente publicado em 10 de outubro de 2010, mas modificado para esta publicação.