Resumo da semana – 15 a 20/set

15/09/2014 – Ciência e desenvolvimento, uma relação de longo prazo

A partir de uma pesquisa realizada pela Reuters, a qual afirmava que somente 4 dos 3215 cientistas com pesquisas de impacto eram brasileiros, buscamos explicar brevemente da relação entre a ciência e o desenvolvimento do país ao longo do tempo.

16/09/2014 – Quando o excesso de proteção se torna prejudicial

De um lado, um Ministro, do outro, setores da economia e no meio, decisões a serem tomadas. No fim, após as decisões, alguns reclamam. Nesta pílula, buscamos explicar a difícil situação de ambos os lados: Ministro e industriais e, assim, refletir mais uma vez sobre até que ponto é benéfico proteger (ou não) algum setor da economia.

17/09/2014 – Liderança, empreendedorismo e competitividade

Esta semana, quatro brasileiras (Leila Velez, Claudia Sender, Julia Bacha e Tatiana Lacerda) foram escolhidas como Jovens Líderes Globais pela Fórum Econômico Mundial. Mas, o que isso representa para o país?

18/09/2014 – Hoje a Escócia e Inglaterra discutem a Relação (again…)‏

Após uma união de mais de 300 anos, Escócia decidiria se continuava ou não dentro do Reino Unido. Nesta pílula, tentamos explicar brevemente o impacto e desdobramentos disto. Mas uma coisa é certa: o plebiscito para tomar esta decisão, sem guerra nem violência, demonstrou a maturidade política destes países.

19/09/2014 – Alguns dados para entender melhor o Brasil

Com a divulgação da PNAD – Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, um debate instaurou-se: o Brasil evoluiu ou não neste começo de século XXI? Tentamos analisar e explicar brevemente estas informações.

20/09/2014 – Será que há desindustrialização no Brasil?

Você sabe o que é Desindustrialização? Se não, nós te explicamos; se sim, sabe qual o impacto disto no país? Nesta pílula que marca a estréia de nosso parceiro e economista, Koiti Yatsunami, tentamos responder estas perguntas.

 

Qualquer dúvida, crítica ou sugestão, mande um e-mail pra gente em analiseconomica@gmail.com ou deixe um comentário abaixo!

Será que há desindustrialização no Brasil?

Quando ouvimos que o Brasil está passando por desindustrialização pensamos negativamente sobre o crescimento. Pois bem, para os teóricos Rowthorn e Ramaswany a desindustrialização não é algo necessariamente maléfico, mas sim uma consequência natural do dinamismo da economia em relação a esfera produtiva do país, onde a desindustrialização se manifesta com um fenômeno em que a indústria perde a importância como fonte geradora de emprego para outros setores, como serviços (comércio, bancos, escritórios, etc). Isso geralmente ocorre quando a indústria apresenta maior conteúdo tecnológico com intuito de inovar sua esfera de produção, elevando o valor agregado do produto e, com isso, realocar o emprego para o setor de serviço. Isso torna a desindustrialização positiva. Mas, claro que existe o outro lado da moeda, pois a desindustrialização pode gerar complicações caso a reformulação do processo produtivo nacional seja focada em exportar produtos primários, principalmente as commodities, ou seja, produtos de baixo valor agregado. Elas podem gerar dependência ao mercado externo. Ainda assim, falar de indústria no Brasil não é algo simples, mas falaremos mais sobre o assunto em outros posts, pois ele merece muito detalhamento devido a sua base histórica e a quantidade de interpretações existentes, principal no caso brasileiro.

Para saber mais:

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2014/09/1519222-critica-desindustrializacao-no-brasil-e-precoce-avalia-economista.shtml

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Alguns dados para entender melhor o Brasil

Ontem foram divulgados os números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com o próprio IBGE, com a PNAD “obtém informações anuais sobre características demográficas e socioeconômicas da população, como sexo, idade, educação, trabalho e rendimento, e características dos domicílios, e, com periodicidade variável, informações sobre migração, fecundidade, nupcialidade, entre outras, tendo como unidade de coleta os domicílios“.

Os números da PNAD 2013. Fonte: http://www.valor.com.br/sites/default/files/gn/14/09/arte19bra-101-pnad-a3.jpg
Os números da PNAD 2013. Fonte: http://www.valor.com.br/sites/default/files/gn/14/09/arte19bra-101-pnad-a3.jpg

Ocorre que a maioria dos jornais trouxeram perspectivas negativas, com destaque a matéria da Folha que resgatou um termo criado na década de 1970, Belíndia, pelo economista brasileiro Edmar Bacha, que é uma junção dos nomes Bélgica e Índia. A ideia deste termo, na época, era criar uma imagem mental de um país que cobra altos impostos (como a Bélgica), mas que possui a realidade social de um país pobre (como a Índia). Se considerarmos somente os dados acima, podemos entender perfeitamente que o país está seguindo uma trajetória de melhorias: a renda está menos concentrada do que em épocas passadas (graças aos programas de transferência de rendas), o desemprego está baixo, a renda média do brasileiro aumentou, diversos serviços públicos foram ampliados, dentre tantos outros indicadores. Isso tudo parece bom, não é? Então, num primeiro momento, sim. Mas, se analisarmos mais atentamente veremos muitas contradições. Vamos usar como referência um dado que não está na PNAD, a Renda Nacional Bruta do Brasil. De acordo com o IBGE, em 2013, a Renda Nacional Bruta, ou seja, a renda de todo mundo somada foi de quatro trilhões setecentos e trinta e três bilhões de reais! Você tem noção do quanto é um TRILHÃO de reais? (veja aqui) Imagine quatro trilhões!! E, ainda assim, somente um quarto dos brasileiros tem abastecimento de água, menos de um quarto tem rede de coleta de esgoto a energia elétrica atende somente 64 milhões de brasileiros (e nós somos em 201 milhões!). Obviamente que alguns fatores são interessantes, como o fato de que em 92,7% das residências existe telefone celular, que 99% das residências tem geladeira, 42,5% tem carro. Mas qual o custo para conquistar e manter esse bens? Segundo pesquisa da Confederação Nacional do Comércio (CNC) 62,5% das famílias brasileiras declararam estar endividadas em 2013, sendo que 21,2% declararam dívidas em atraso. Bem, resumindo todo esse monte de informação acima: realmente a situação do Brasil mudou, tanto que somos a sexta maior economia do mundo; muita gente possui bens que não possuíam há dez anos atrás, mas há um custo alto, mostrando que ainda existem muitas divergências que devem ser resolvidas (muitas mesmo). E você, o que acha? Deixe seu comentário abaixo ou mande um e-mail para nós em analiseconomica@gmail.com.

 

Para saber mais:

http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/pesquisas/pesquisa_resultados.php?id_pesquisa=40

http://saladeimprensa.ibge.gov.br/noticias?view=noticia&id=1&busca=1&idnoticia=2722

http://www.valor.com.br/brasil/3702560/pnad-serve-oposicao-e-ao-governo

http://www.valor.com.br/brasil/3702532/pesquisa-atrapalha-dilma-mas-tambem-traz-boas-noticias

http://www.valor.com.br/brasil/3702526/pnad-mostra-estagnacao-da-desigualdade-no-pais-desde-2011

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/186412-distribuicao-da-renda-sofre-efeitos-da-politica-economica.shtml

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/186348-pesquisa-mostra-que-brasil-de-fato-se-tornou-uma-belindia.shtml

http://pt.wikipedia.org/wiki/Bel%C3%ADndia

http://brasilemsintese.ibge.gov.br/en/contas-nacionais/renda-nacional-bruta

http://www.cnc.org.br/sites/default/files/arquivos/o_perfil_do_endividamento_das_familias_brasileiras_em_2013.pdf

Hoje a Escócia e Inglaterra discutem a Relação (again…)‏

Hoje acontece um plebiscito na Escócia com a seguinte pergunta: A Escócia deve se tornar Independente do Reino Unido? A resposta deve ser sim ou não.

RU Completa e Sem a Escócia (2)

A ideia é clara e objetiva, entretanto não é fácil decidir se uma união de mais de 300 anos deve chagar ao fim. A ilha onde está situado o Reino unido hoje tem três países (Inglaterra, Gales e Escócia, além da Irlanda do norte que fica em outra ilha), mas já foram mais de oito reinos a cerca de um pouco mais de mil anos atrás. O que aconteceu é que após tantas guerras, dominações e alterações de território, as nomenclaturas de países foram substituídas por províncias, os usos e costumes se unificaram e chegou-se ao consenso que haviam mais motivos para se virem como irmãos do que como rivais (isto e o peso da coroa britânica, claro!). Entre os sentimentos dos separatistas podemos identificar uma clara necessidade de autoafirmação sobre a Inglaterra, que dos três países é o maior representante do PIB britânico, tanto que a Rainha Elizabeth II continuará sendo a chefe de Estado independente do resultado. O PIB escocês representa pouco menos que 10% do Produto gerado pelo Reino Unido, mas sua presença no bloco tem uma representatividade internacional significativa. Isso é tão verdadeiro, que o Primeiro Ministro, David Cameron, terá que renunciar ao cargo caso o “SIM” vença. O Economista escocês, Niall Ferguson é um defensor do livre mercado e da menor participação do Estado na economia. Ele se posiciona claramente contra a independência da Escócia e, inclusive, faz uso de seu ilustre conterrâneo, Adam Smith, quando ele diz, em outras palavras, que “o nacionalismo é uma ferramenta na qual os políticos usam de uma forma plausível a  permissão do povo para engrandecer seus próprios interesses“. De qualquer forma, o que deve ser elogiado, independente do “Sim” ou do “Não” é a forma pacífica que estes países encontraram para resolver estas questões. Certamente é um avanço a democracia e um exemplo que deve ser copiado por muitos países.
Para Saber mais:
Tem alguma dúvida, sugestão ou crítica? Entre em contato conosco pelo analiseconomica@gmail.com

Liderança, empreendedorismo e competitividade

Young Global Leaders
Da esquerda para a direita, em sentido horário: Leila Velez, Claudia Sender, Julia Bacha e Tatiana Lacerda.

Leila Cristina Velez, fundadora da rede de salões Beleza Natural; Claudia Sender, presidente da companhia aérea TAM; Julia Bacha, cineasta; e Tatiana Lacerda Prazeres, ex-secretária de Comércio Exterior. Sabe o que elas tem em comum? São jovens e destacam-se profundamente no que fazem. Hoje, na Folha de São Paulo, saiu uma matéria destacando que as quatro foram escolhidas para compor um grupo de 214 jovens líderes, de 66 países diferente, de um projeto do Fórum Econômico Mundial chamado Young Global Leaders (Jovens Líderes Globais, em tradução literal). De acordo com Tatiana, “o grupo reúne pessoas com trajetórias e experiências distintas, mas motivadas a dar uma contribuição para o mundo nas áreas em que atuam”. Já Júlia diz que “são pessoas que têm um comprometimento em trabalhar para que o futuro seja melhor do que o agora”. O caso delas, de alguma forma, reflete o que a maioria dos jovens busca ao longo de sua formação: reconhecimento. Apesar da matéria na Folha ser curta, é possível notar que cada uma, ao longo de sua carreira, buscou dar o melhor de si e hoje, no auge de sua formação, alcançaram reconhecimento. Tá, mas não pretendo me aprofundar na história delas, mas sim no que isso representa, daí o título desta pílula. A relação é simples: bons líderes motivam as pessoas e abrem caminhos para inovação; com estes caminhos abertos, novas possibilidades surgem; e, assim, com novos empreendimentos, o mercado fica mais dinamizado e abre novos caminhos para o tão almejado desenvolvimento. Outra questão interessante é notar o destaque que a matéria deu para a formação de cada uma delas, o que nos leva a outra relação: a educação é uma variável essencial no desenvolvimento, pois conhecendo melhor o mundo, podemos agir melhor sobre ele. O caso das quatro, além de consolidar a quebra de um antigo paradigma de que os homens dominam os negócios, política e afins, evidencia a importância da educação para criar líderes que abram caminhos para o empreendedorismo, a competitividade e o desenvolvimento.

 

Para saber mais:

http://www1.folha.uol.com.br/bbc/2014/09/1517254-quatro-mulheres-sao-jovens-lideres-globais-do-brasil-saiba-quem-sao.shtml

 

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Quando o excesso de proteção se torna prejudicial

Se pudéssemos comparar, de forma bem grosseira, o cargo de ministro da fazenda, a definição mais próxima seria a de um malabarista. Sim, pois este cara tem como tarefa lidar com conflitos internos e externos para elevar a produção do país, realizar políticas de redução de custos, incentivo ao consumo, e mais, sem que tudo isso resulte em inflação! Parece difícil, né? Sim, um pouco. Ainda mais se algum setor específico for mais sensível a estas oscilações, como é o caso da indústria. E ontem, o ministro Guido Mantega se reuniu com os representantes das indústrias para anunciar um pacote de redução da alíquota de impostos ao setor de 34% para 25%. Mas calma, não é só isso!  Haverá um aumento de 3% na reintegração sobre o faturamento em exportações, que é como se fosse uma comissão sobre vendas totais (guarde isto, TOTAIS!). Analisando desta forma, os industriais tem um ótimo incentivo à produção, certo? Eles acham que não. O governo tenta mostrar que sim e no que depender do embasamento de alguns economistas como o Fábio Giambiagi a indústria está recebendo até demais. Em seu livro chamado “Brasil: Raízes do Atraso” ele traz uma série de análises sobre os entraves ao desenvolvimento de nosso país e sobre este assunto ele diz que tratar como permanente os incentivos que deveriam ser temporários é prejudicial para a indústria e para o Brasil. Algo como “tirar a indústria do colo da nação e deixar que ela ande com as próprias pernas depois de já madura”. Fato é que as políticas de proteção á indústria foram inseridas com o intuito de minimizar os impactos externos de um cenário industrial já bem estabelecido na Europa e nos EUA. Nossa indústria utilizou destes incentivos, cresceu, em alguns casos até se internacionalizou, tornando-se competitiva e ainda é extremamente sensível aos impactos externos e internos. O setor é internacionalmente afetado pelas taxas de crescimento, isto é fato, mas até que ponto esta dor é real? As vezes é mais cômodo chorar sabendo que alguém irá ajuda-lo.

Para saber mais:
Livro: Brasil Raízes do Atraso: Paternalismo versus Produtividade – As Dez vacas sagradas que acorrentam o país. 2007, Editora Elsevier. Fábio Giambiagi
Tem alguma dúvida, sugestão ou críticaw entre em contato conosco pelo analiseconomica@gmail.com

Ciência e desenvolvimento, uma relação de longo prazo

Uma das notícias que saiu hoje na Folha de SP traz a seguinte chamada: “Brasil tem só 4 dos 3215 cientistas cujas pesquisas tem maior impacto”. Essa listagem de cientistas foi feita pela consultoria Thomson Reuters. Porque isso é importante? Bem, vou explicar só mais um pouquinho. Recentemente, conclui um artigo acadêmico (postaremos aqui em breve) com uma de minhas mestras (Ivy Judensnaider) no qual analisamos a evolução das políticas voltadas à ciência no período da Ditadura Militar, em outras palavras, buscamos verificar como era a relação entre economia, ciência e Estado, e os impactos disto no desenvolvimento nacional. Uma de nossas conclusões foi impactante: o governo militar não buscou a cooperação, nem o incentivo à pesquisa científica, muito pelo contrário, perseguiu e até exilou muitos cientistas brasileiros. O impacto disso é sentido até hoje, tanto em termos de desenvolvimento econômico, quanto em termos de desenvolvimento social. Tá, mas o que isso tem a ver com a matéria da Folha? Simples: com a perseguição e a falta de cooperação, criou-se uma cultura de isolamento da comunidade científica dentro das universidades. Felizmente, ainda existem alguns nomes que se destacam, como os citados no artigo da Folha que, mas na prática, são casos isolados e seu impacto em termos de desenvolvimento nacional é baixo se comparado a quantidade de ideias que trazemos do exterior. Se hoje enfrentamos dificuldades de infraestrutura, produtividade, dentre outros, isso é em grande parte decorrente de erros do passado, o que mostra como nossa dificuldade de olhar para o futuro e pensar no longo prazo não é de hoje. Resta-nos pensar: até quando continuaremos míopes?

 

Para saber mais:

http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2014/09/1515944-brasil-tem-so-4-dos-3215-cientistas-cujas-pesquisas-tem-maior-impacto.shtml

 

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Resumo da semana – 07 a 11/set

07/09/2014 – Economia, política e Estado

Nesta reflexão, buscamos fazer um apanhado geral da diferença entre Estado e governo, da importância do processo político e as relações com economia.

08/09/2014 – O PIB em queda e os custos em alta: Uma combinação perigosa

Esta situação está sendo dita por todos os meios de comunicação e os analitas: os custos de produção estão cada vez mais altos (por isso, a baixa produtividade) e o PIB está cada vez mais em queda. Quais os impactos disto?

09/09/2014 – O que o dinheiro não compra?

Na atualidade, o mercado ganhou a posição de todo-poderoso e a moeda é a intermediária de quase todas as trocas. Por conta disto, parece que não existe outra maneira de intermediar as relações humanas. Mas isso faz sentido?

10/09/2014 – Poupança, Investimento e Futuro

O brasileiro é o que menos investe no futuro. O que isso representa? Nesta pílula, tentamos mostrar o impacto disto nas nossas vidas.

11/09/2014 – Renda e consumo: o elo para atender as nossas necessidades

Nesta pílula, buscamos evidenciar algumas relações entre a renda e consumo, bem como fazer uma breve reflexão sobre as nossas necessidades.

A mundialização do capital

Breve trecho da obra A Mundialização do Capital, do economista francês, François Chesnais.

12/09/2014 – Retomando os trilhos do desenvolvimento

Duas coisas têm se mostrado importantes na atualidade: infraestrutura e mobilidade urbana. As megalópoles estão cada vez mais presentes no mundo e isso tem exigido novas maneiras de se organizar e se locomover. Por esta razão, nesta pílula trouxemos alguns aspectos disto no nosso dia-a-dia.

 

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Retomando os trilhos do desenvolvimento

Hoje na Folha de São Paulo foi divulgado o resultado de um estudo no qual as estradas seriam um estacionamento a céu aberto a partir de 2030. Mas qual a possível solução para este problema? A implantação de trens inter-regionais. O mais estranho de tudo isso é que essa estrutura já existia.  Em meados da década de 50, só no estado de São Paulo, haviam mais de 1000 estações! Hoje, este número não passa de 100. O que aconteceu, então? Foram vários fatores que contribuíram para o fechamento em massa das ferrovias, dentre eles, a entrada da primeira montadora de grande porte no Brasil: a Volkswagen, ainda no governo JK, que impulsionou a criação de rodovias, que por sua vez defendia o crescimento do consumo de carros para uma fluidez mais rápida entre os destinos. Fato é que enquanto um carro fazia facilmente seus 100 km/h, os trens da época não passavam dos 60 km/h. E um relatório divulgado neste mesmo período por uma consultoria estadunidense, relatava que o transporte ferroviário era obsoleto frente as outras opções que existiam (leia-se carros). Em resumo, isso gerou o fechamento em escala mundial de várias linhas ferroviárias. Este relatório só não se atentou a uma coisa: neste período, as grandes cidades dos EUA e da Europa já sofriam com congestionamentos terríveis, sendo que a solução mais eficaz para estes, foi e é até hoje o transporte por trens urbanos. Contraditório, não é? Atualmente, estamos vivendo uma época em que os limites das cidades já não são mais delimitados por territórios municipais e sim regionais. É comum você trabalhar em São Paulo, morar em Campinas e visitar seus clientes em São José dos Campos. Este caminho todo dá por volta de 200 quilômetros percorridos, única e exclusivamente de carro ou de ônibus. Em poucas palavras: se é comum, tem muita gente circulando; se tem muita gente circulando, tem volume de carros; e se tem volume de carros, tem congestionamento, claro! Qual a solução? Voltemos ao equilíbrio nas opções de mobilidade! A mobilidade urbana deve ser plural. Isso não garante que todos os problemas de mobilidade acabem, mas certamente trazem um equilíbrio maior.

Para saber mais:
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A mundialização do capital

“(…) este livro dirige-se àqueles cujo primeiro reflexo não é o de submeter-se à ordem ‘tal como ela é’, e sim procurar compreendê-la e discutir sobre ela, para eventualmente buscar caminhos diferentes dos que foram impostos. Esta função crítica do intelectual parece-nos hoje mais necessária do que nunca”.

- CHESNAIS, François. A Mundialização do Capital. São Paulo: Editora Xamã, 1996, p. 43.

O economista francês François Chesnais já foi colaborador da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) por mais de 30 anos, liderando grupos de estudo sobre ciência, tecnologia e indústria. Além disso, ao longo de sua carreira, ele teve uma participação política muito ativo em grupos de esquerda, bem como na vida acadêmica. Em 1979, ele começou a visitar o Brasil, sendo, inclusive, um dos responsáveis pela criação do Grupo de Estudos sobre Política Científica e Tecnológica, na UNICAMP (Universidade de Campinas). Atualmente, ele é membro do comitê científico da ATTAC (Associação pela Tributação das Transações Financeiras para ajuda aos Cidadãos) e professor da Universidade Paris-Nord. Na citação acima, Chesnais tentou exprimir nestas poucas palavras é a necessidade de voltar às origens das ciências: perguntar, questionar, criticar e não simplesmente aceitar a realidade “tal como ela é” oferecida para nós. Em certa medida, esta é a nossa razão de fazer economia e, mais além, é a razão de diariamente comentar o noticiário econômico: desmistificar o que se fala, interpretar, buscar, a cada dia que passa, entender as coisas sob um ângulo diferente. E assim, realmente, parece-nos que mais do que nunca a reflexão e a crítica são necessárias.