Monopólio, capital financeiro e a telefonia no Brasil

Por muito tempo, a telefonia no Brasil foi provida pelo governo, por uma série de empresas estatais que compunham o sistema Telebrás. Contudo, na década de 1990, com o movimenta de abertura comercial e liberalização da economia, o sistema Telebrás foi privatizado e diversas empresas estrangeiras entraram no país. Alguns aspectos positivos desse movimento são evidentes: os focos de corrupção se dissiparam, os serviços melhoraram e se popularizaram. Contudo, vivemos um dilema: se antigamente o serviço era de monopólio do Estado, hoje ele é um oligopólio privado, com grandes chances de tornar-se um monopólio privado. Ok, muitas palavras bonitas, mas não se preocupe que eu as explico pra você. A palavra monopólio significa que só existe uma empresa que oferece um bem ou serviço, já o oligopólio é quando existem poucas empresas. Em outras palavras, na década de 1990 no Brasil, existia somente uma empresa que, de modo geral, era o governo; hoje temos quatro gigantes que dominam 99% do mercado de telecomunicação no Brasil (Claro/Embratel [mexicana], Oi [portuguesa], Tim [italiana] e Telefónica/Vivo [espanhola]). Aí você me pergunta: mas se existem quatro, não é um monopólio, certo? Verdade, não é um monopólio. Mas desde a semana passada está sendo veiculada a notícia de que a Oi (controlada pela Portugal Telecom) está interessada em adquirir a Tim, que é parcialmente controlada no exterior pela Telefónica/Vivo e pela Telecom Itália para evitar a entrada agressiva de empresas americanas no mercado europeu. Confuso, né? Mas o que isso significa? Bem, no fundo, esse mercado parece muito mais um cartel: um acordo entre as empresas para manter as coisas como estão. E onde entra o capital financeiro que eu coloquei no título? Simples: as ações (explicaremos melhor esse mercado muito em breve) dessas companhias são compradas, recompradas e descompradas umas pelas outras. Em outras palavras, quem tem mais dinheiro, detém uma ou outra empresa. Quando a situação fica difícil, vende-se a empresa para outra e assim vão passando de mão em mão. Ufa… Muita informação, né? Então para resumir e fechar: o mercado de telecomunicações no Brasil foi privatizado e algumas poucas empresas da Europa compraram partes do sistema; essas empresas possuem ações na Bolsa e um “acordo de cavalheiros” onde elas mantém o mercado como está e possuem participações umas das outras. Conclusão: com essa situação, os serviços apesar de terem melhorado em comparação com o passado, continuam muito abaixo do que poderiam ser e o impacto pra gente é simples de ser perceber quando tentamos fazer ligações, mandar SMS, acessar o facebook  ou mandar um whatsapp, dentre outras coisas.

Para saber mais:

http://www.valor.com.br/brasil/3677848/uma-nota-de-r-3-em-circulacao

http://economia.estadao.com.br/noticias/negocios,telefonica-saira-da-telecom-italia-depois-de-concluir-a-compra-da-gvt,1553228

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2014/08/1506527-oi-fecha-contrato-com-o-btg-pactual-e-ira-fazer-oferta-para-comprar-a-tim.shtml

http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/oi-deve-fazer-proposta-de-compra-de-participacao-na-tim

Qualquer dúvida, crítica ou sugestão mande e-mail para analiseconomica@gmail.com ou deixe um comentário abaixo!! ;)

Desindustrialização: a parte mais delicada do PIB‏

Pelo décimo terceiro mês consecutivo, a indústria na zona do euro registra queda na atividade. Esse é o resultado apresentado pela consultoria Markit, que é especializada no monitoramento deste tipo de atividade. Este resultado mostra uma tendência mundial que reflete o aumento da custo de manter indústrias em países desenvolvidos.  Desde o começo do século passado e mais fortemente a partir das décadas de 60 e 70, os custos sociais (Salários, custos sindicais, tributos)de manter indústrias em países  como EUA e países do oeste europeu “forçou” a ida destas indústrias para os países periféricos, como os do sudoeste da Ásia, da África Subsaariana e América do Sul. O Economista inglês David Ricardo contribuiu com uma tese chamada Teoria dos rendimentos decrescentes, na qual, com o passar do tempo, a adição de valores secundários tentem a aumentar o custo marginal de produção. Esta tese foi aperfeiçoada mais tarde por outros economistas como Karl Marx, Rosa Luxemburgo e Lenin. Eles estudaram e previram este movimento muito antes dele começar a surgir. Falaremos destas linhas de pensamento em outros posts, pois este assunto merece muito detalhamento, porém a ideia que eles defendiam é a de que há uma taxa decrescente de lucros que precisa ser constantemente reposta. Seja pela aquisição de uma concorrente, redução dos salários ou expansão das fronteiras. Logo, a entrada em novos mercados se torna atrativa para esta manutenção. Independente do seu posicionamento econômico é importante refletir sobre as bases de quem já chegou a este raciocínio. Estes pensadores não chegaram a uma conclusão positiva sobre o assunto, mas é importante pensar em qual solução aplicar para esta questão, pois sem a indústria, as chances de um país manter um crescimento sustentável são mínimas.

Para Saber mais:
Tem alguma dúvida, sugestão ou crítica? Fale conosco, através do analiseconomica@gmail.com

Resumo da Semana – 25 a 30/ago

25/08/2014 – Votorantim, empreendedorismo e economia

Uma breve análise sobre o falecimento do empresário Antônio Ermírio de Moraes, as questões sobre empreendedorismo no país e a relação entre esses temas e a economia.

26/08/2014 – O atraso em infraestrutura e como Max Weber pode explicar isso

As questões burocráticas defendidas por Max Weber e o excesso do uso da burocracia que impactam no atraso das obras de infraestrutura no país.

27/08/2014 – Crescimento e desenvolvimento econômicos: qual a diferença?

Existe uma diferença importante entre crescimento econômico e desenvolvimento econômico. Nesta pílula, tentamos explicar a diferença.

28/08/2014 – Eleições 2014 – escolha o seu economista

Sabemos que as questões econômicas impactam bastante a vida de todos nós. Sabemos também que muitas decisões estão na mão dos políticos, mas que não são eles os responsáveis pelas propostas econômicas que defendem. Então reunimos uma breve análise e histórico dos economistas que auxiliam os principais candidatos a presidência das eleições de 2014.

29/08/2014 – Para entender esse tal de PIB

PIB? Você sabe o que é isso? Nós explicamos para você.

30/08/2014 – Tá, mas o que é economia?

Já que o blog fala sobre economia e os autores são economistas, nada mais justo explicar o que é economia e o que faz um economista!

 

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Tá, mas o que é economia?

Bem, estamos há um tempo na estrada escrevendo (e sempre aprendendo mais e mais) sobre economia. Como já comentamos no nosso editorial de retorno (leia aqui: “Tudo Novo (de novo)“), o blog existe desde 2010, mas esta nova fase foi iniciada em 13 de agosto de 2014. E acho que você, querido leitor, já deve ter se perguntado algumas vezes: o que é economia? O que faz um economista? Ele fala somente de dinheiro, investimento, taxa de juros? Trabalha em banco, governo, consultoria? Sei que as perguntas vem aos montes, então vou tentar simplificar e matar estas suas dúvidas. Existem várias explicações para o que é economia, mas a definição clássica é: uma ciência preocupada em estudar como alocar recursos (trabalho, máquinas, equipamentos, terra, dinheiro, etc.), que geralmente são escassos, para atender as necessidades ilimitadas do ser humano. Parece claro? Bem, vou explicar melhor. Realizamos milhões de atividades diariamente: acordar, tomar café, tomar banho, estudar, ler, escrever, navegar na internet, dirigir o carro, andar de ônibus, trabalhar no escritório, produzir aço, plantar laranjas, construir casas, montar um carro, etc. Já pensou se cada um de nós tivesse que fazer todas estas atividades? Seria impossível! Mas existe outro ponto: para ser executar cada atividade destas são necessários recursos (os citados acima). Daí que entra o economista: nós aprendemos maneiras de distribuir melhor os recursos necessários para atender as necessidades de todos da melhor maneira possível. Bonito isso, não é? Mas existe alguns problemas nisso e um deles (talvez o principal) é que a vida é muito complexa e existem muitas incertezas. E justamente por conta destas incertezas, planejar e distribuir recursos para atender as necessidades de todos nós nem sempre é tão fácil! Mas, por ora, sabemos o que é economia e o que faz o economista, de modo geral. Depois a gente traz mais alguns textos sobre o mercado de trabalho do economista.

 

Para saber mais:

http://www.oeb.org.br/

http://www.coreconsp.org.br/

http://www.coreconsp.org.br/index.php?pg=100

http://www.fea.usp.br/conteudo.php?i=202

 

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Para entender esse tal de PIB

Segundo analistas, o cenário para a economia de 2015 não é muito favorável, em virtude das previsões de crescimento cada vez menores. De acordo com o divulgado hoje na folha.com, o resultado do último trimestre foi de recuo em 0,6% em relação ao primeiro trimestre. Os analistas chamam isso de recessão técnica, quando o resultado trimestral cai por mais de um trimestre consecutivo, mas fato é que os jornais divulgam com uma certa urgência toda vez que sai o resultado do PIB independente de positivo ou negativo. Se há urgência deve ser importante, mas, na boa, o que vem a ser o PIB? Porque ele é tão importante? Simples: ele mostra tudo o que nós fizemos ou deixamos de fazer (produzir) naquele período. Assim como o seu trabalho diário ou contribuição de algum talento seu para a sociedade, o PIB é a soma de todos estes fatores, mais a riqueza gerada por ele. O estadao.com divulgou hoje um infográfico muito didático que mostra as definições do PIB, qual sua forma de calculo e um histórico de criação. Vale a pena conferir e compreender de vez esse frisson que sempre acontece quando o PIB é divulgado na mídia.

 

Para saber mais:
 
 
Dúvidas, Críticas ou sugestões?Entre em contato conosco:

 

Eleições 2014 – escolha o seu economista

A eleição deste ano já está sendo considerada por muitos, uma das mais concorridas da história brasileira. E, uma questão em especial já tem se mostrado central nos debates entre os presidenciáveis: economia. Muito se fala sobre taxa de juros, inflação, banco central, infraestrutura, déficit público, desemprego, PIB, dentre várias outras questões. E foi pensando nisso que decidimos trazer para vocês um resumo dos programas econômicos de governo de cada um dos candidatos, mas, principalmente, uma breve reflexão sobre os economistas que estão auxiliando os candidatos à presidência este ano.

Onze partidos/coligações lançaram candidatos para o mais alto posto do executivo nacional, sendo eles:

 

Candidatos e suas respectivas legendas
Candidatos e suas respectivas legendas

 

Segundo resultados das últimas pesquisas realizadas, os três candidatos com maiores intenções de voto são: Dilma Rousseff, Marina Silva e Aécio Neves. Sabemos de todos os planos econômicos destes candidatos, porém o que muita gente não sabe é que eles não planejam e nem governam sozinhos. Existe uma equipe de economistas e demais profissionais especializados, que são responsáveis pelo plano de governo, que é obrigatoriamente apresentado ao TSE para validar sua candidatura. Como este é um blog de economia, nada mais justo que falarmos sobre os economistas por trás do plano de governo de cada um deles.  Veja a seguir um breve panorama destes economistas e seus principais trabalhos:

 

DilmaLuiz Gonzaga Beluzzo

O professor Beluzzo é formado pela UNICAMP (Universidade de Campinas), em Sociologia, mas seu Doutorado foi em economia. Já escreveu diversos livros sobre o capitalismo e seu funcionamento. Possui um viés mais de esquerda, ou seja, defende maior presença do Estado na economia. A própria UNICAMP tem a característica de formar economistas com uma linha de pensamento keynesiana (relacionada às teorias do economista John Maynard Keynes). Esse traço é evidente quando analisamos como foi o governo Dilma (e o governo do PT, de modo geral), bem como seus atuais planos de governo.

MarinaAndre Lara Resende e Eduardo Gianetti da Fonseca

A dupla Resende e Gianetti possuem uma linha de pensamento que pode ser considerada pró-mercado. Mas considerando individualmente suas habilidades, é possível concluir que a atuação conjunta de ambos, leve a uma política mais de centro: nem tanto mercado, nem tanto social. Resende possui doutorado no MIT (Massachusetts Institute of Technology), nos Estados Unidos, enquanto Gianetti possui doutorado pela Universidade de Cambridge, na Inglaterra. Ambos defendem um Banco Central mais autônomo, bem como o tripé macroeconômico (metas de inflação, câmbio flutuante e metas).

Aecio

Armínio Fraga e Mansueto de Almeida

Ambos, Fraga e Almeida, possuem características mais voltadas ao crescimento econômico e ao mercado. Armínio Fraga já foi presidente do Banco Central na gestão do ex-presidente FHC,  enquanto Mansueto de Almeida é profissional de carreira no IPEA. Ambos tem herança de formação nas escolas americanas, Fraga na Universidade de Princeton e Almeida no MIT. As propostas trazidas por estes economistas giram em torno do já consolidado tripé macroeconômico, que foi, inclusive, criado pelo Armínio Fraga.

Os Queridinhos das redes sociais

No dia 26/08 houve o primeiro debate presidencial na Band e aqui faremos uma menção honrosa. Os candidatos Luciana Genro e Eduardo Jorge, que apesar de não serem sequer citados como destaque pelos jornalistas ali presentes, nas redes sociais foram os campeões de audiência. Os dois permaneceram por mais de 12 horas nos trending topics do Twitter e o candidato Eduardo Jorge chegou a aos TT’s Mundiais durante a exibição do debate.  Os TT’s da Candidata Luciana Genro chegaram mais tarde, após o debate, porém até as 17 horas do dia 27, seu nome ainda estava nos assuntos mais relacionados. Disponibilizamos o Link para o acesso das propostas de cada um logo abaixo:

Luciana

Luciana Genro

http://psol50.org.br/site/paginas/2/programa

 

Eduardo

Eduardo Jorge

http://pv.org.br/opartido/programa

 

 

Para saber mais:

http://noticias.br.msn.com/especial/eleicoes-2014/veja-os-candidatos-presidenciaveis-das-eleicoes-2014-1#image=1

http://divulgacand2014.tse.jus.br/divulga-cand-2014/eleicao/2014/UF/BR/candidatos/cargo/1

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/08/140820_eleicoes_conselheiros_pai_jf.shtml

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/08/140819_pontos_fracos_presidenciaveis_lgb.shtml

http://brasileconomico.ig.com.br/financas/mercados/2014-08-18/ibovespa-sobe-apos-pesquisa-eleitoral-ja-com-marina-no-pareo.html

http://henriquebarbosa.com/conselheiros-de-aecio-e-marina-convergem-em-politica-economica/

http://www.valor.com.br/brasil/3658784/estado-brasileiro-nao-cabe-no-pib-diz-giannetti

http://blogdosaposentados.com.br/as-questoes-economicas-que-pautam-dilma-aecio-e-campos/

http://politica.estadao.com.br/noticias/eleicoes,dilma-a-gestora-agridoce,1548542

http://politica.estadao.com.br/noticias/eleicoes,marina-deus-e-a-nova-politica,1548548

http://politica.estadao.com.br/noticias/eleicoes,aecio-de-pos-lula-a-antipetista,1548551

Crescimento e desenvolvimento econômicos: qual a diferença?

Ontem à noite, aconteceu na BAND o debate entre os candidatos ao mais alto posto do executivo no país: a presidência da república. Muitos temas foram discutidos, dentre eles, questões sobre crescimento econômico e desenvolvimento econômico. É comum escutar estes termos juntos e, por vezes,  eles até são usados como sinônimos. Mas no fundo, você deve se perguntar: existe diferença entre eles? E eu te respondo: sim! Na realidade, existem muitas maneiras de explicar diferenças e semelhanças entre estes conceitos. Uma que nos parece mais clara é a que se relaciona com a evolução da sociedade e da economia, de modo geral. Até o começo do século XX, quase não se falava em desenvolvimento econômico, mas somente em crescimento, pois a população mundial era pequena, os países eram pouco integrados e tal, logo, ainda havia muito espaço para crescer. Com o passar do tempo, questões como: saúde pública, educação, tecnologias, pobreza/riqueza, dentre outras, foram tornando-se mais complexas e resolvê-las tornou-se necessário. Então, percebeu-se que não bastava crescer, mas distribuir, tornar mais igualitário, dividir melhor o bolo. Maaass, é aí que entra a confusão. Desenvolvimento é algo amplo, que envolve pelo menos quatro aspectos: biológico, cultural, político e econômico. Por esta razão, quando se referia ao desenvolvimento econômico em especial, era muito comum se confundir com crescimento. Até hoje, para muitos economistas, a melhor medida de desenvolvimento econômico é a renda per capita, ou seja, a renda de todos os brasileiros (salários, aluguéis, juros recebidos, lucros recebidos, etc) dividido pelo quantidade total de brasileiros. Bem, o que nos parece mais claro é que crescimento econômico está diretamente relacionado com aumento da produção, queda da inflação, controle de juros, etc. Já o desenvolvimento econômico está relacionado, na verdade, com o bem-estar, qualidade de vida, distribuição de recursos, dentre outras características. A renda entra nessa conta, pois o aumento da renda permite alcançar melhores condições de vida. Mas a renda por si só, principalmente a renda per capita, não é um bom indicador de desenvolvimento econômico. Ela deve ser analisada junto com outros indicadores como Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), Índice de Concentração de Renda (Índice de Gini), etc.

Para saber mais:

http://www.economiaerealidade.com/2007/05/diferenas-entre-crescimento-econmico-e.html

http://noticias.uol.com.br/ultnot/efe/2007/05/23/ult1766u21837.jhtm

http://www.bresserpereira.org.br/Papers/2007/07.22.CrescimentoDesenvolvimento.Junho19.2008.pdf

http://politica.estadao.com.br/noticias/eleicoes,dilma-evita-marina-em-debate-e-aecio-tenta-ligar-ex-ministra-ao-pt,1550069

http://dinheiropublico.blogfolha.uol.com.br/2014/08/27/promessa-de-marina-a-saude-reduziria-poupanca-do-governo-pela-metade/

O atraso em infraestrutura e como Max Weber pode explicar isso

Hoje, em reportagem do Estadão, está em destaque a notícia de que cerca de 30% das obras de concessões das rodovias estão em atraso. Não é de hoje que vemos notícias deste tipo nos noticiários. Faz pouco tempo que presenciamos ansiosos a chegada do dia 12 de junho para saber enfim se daria tempo ou não de concluirmos as obras da copa. A maioria foi entregue. O que não foi entregue foi maquiado e colocado em atividade como se estivesse pronto. Fato é que a copa foi um sucesso, os visitantes adoraram e por aí vai, mas, porque em todas as obras da esfera pública nós vemos este entrave? Não dá pra simplificar? Sim, é possível! Mas não é conveniente nem para o governo e nem para as empresas prestadoras de serviço. Mas não comece a xingar ninguém, eu explico: existe um termo chamado burocracia, que é comumente falado, mas pouco compreendido. Este conceito foi defendido fortemente pelo economista alemão, Max Weber. A burocracia para ele é um sistema no qual o processo administrativo está acima dos agentes tomadores de decisão (governantes, empresários), sendo assim, independente dos interesses destas partes, as etapas precisam ser rigorosamente cumpridas, relatadas e fiscalizadas para a manutenção do Estado sem interferências pessoais destes agentes. Sendo assim, porquê não dá certo no Brasil? Simples: a diferença entre o antídoto e o veneno está justamente na dose! A burocracia é uma ótima ferramenta de controle e gestão, sendo largamente utilizada até hoje, mas o excesso de burocracia causa lentidão e atraso. Você pode ver isso, não somente na esfera pública, mas no trabalho, na escola ou na faculdade, como aquele formulário interminável que você precisa preencher, mesmo quando eles já tem todas as suas informações no sistema. No caso, o “veneno” da burocracia excessiva na esfera pública é bem pior, pois facilita a corrupção. Se o sistema é muito travado, aparecem os “facilitadores” que por acaso conhecem uma jeito de fazer com que a obra siga o ritmo e nos casos em que ele não aparece estão deste grupo de obras não entregues no prazo.
 
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Votorantim, empreendedorismo e economia

Ontem à noite, dia 24, morreu o empresário Antônio Ermírio de Moraes. Para que não o conhece, o Dr. Antônio Ermírio (como era chamado por muito) era presidente do Grupo Votorantim, um dos maiores no Brasil. O Grupo Votorantim atuava em diversas áreas, como siderurgia, papel e celulose e, inclusive, setor financeiro, por intermédio do Banco Votorantim. O Dr. Antônio Ermírio também já se aventurou em outras praias como literatura (tenho ganhado a cadeira número 23 da Academia Brasileira de Letras), política (tendo se candidatado ao governo de São Paulo, em 1986), filantropia, teatro, dentre outras atividades. Pensar em sua carreira a essa altura do campeonato parece nos propor as seguintes reflexões: qual o papel do empreendedor na economia? O que o motiva a empreender? Como criar um ambiente que motive o empreendedorismo? Essas reflexões vem ao encontro da atual situação brasileira, como relatada nas mais diversas mídias: baixo crescimento, baixa inovação, baixa produtividade e eficiência. Alguns economistas (notadamente Joseph Alois Schumpeter, um dos pioneiros do assunto “empreendedorismo”), defendiam a importância da inovação nos ciclos econômicos (logo mais a gente define essas teorias para vocês!). Schumpeter dizia que o empreendedor tinha um papel crucial, principalmente nos momentos de crise, ou de “baixa”, pois ele criava e inovava de tal forma que contagiava a economia como um todo e criava um novo ciclo de alta. Diversos ciclos ascendentes, quando criados repetidamente, levavam, de alguma forma, ao desenvolvimento econômico tão sonhado por todos os países! Assim, pensando em tantos outros países que conseguiram avançar em seus indicadores de desenvolvimento econômico, acredito que desburocratizar os processos de abertura e fechamento de empresas, simplificar a tributação, fomentar a inovação, dar suporte aos empreendedores (com iniciativas como o SEBRAE, por exemplo) e melhorar a infraestrutura são caminhos que levam a ciclos ascendentes de inovação e, consequentemente, nos encaminham ao tão sonhado desenvolvimento econômico.

Para saber mais:

http://www.valor.com.br/empresas/3666080/morre-em-sao-paulo-o-empresario-antonio-ermirio-de-moraes

http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,morre-aos-86-anos-o-empresario-antonio-ermirio-de-moraes,1549160

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2014/08/1505368-aos-86-morre-o-empresario-antonio-ermirio-de-moraes.shtml

http://pt.wikipedia.org/wiki/Joseph_Schumpeter

 

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A inadimplência no Brasil e suas consequências para o desenvolvimento.

 

“Compre seu carro agora!” “Abra um crediário conosco!” “Planos facilitados, venha conferir!”. O ano era 2010, e não faz muito tempo, então eu acredito que muitos de vocês leitores se lembram deste período de que alguns economistas mais otimistas chamavam de “pequeno milagre econômico”. O governo disse ao povo, “pode comprar!”, e o povo mais que prontamente atendeu aos anseios do planalto e foi as compras. Parcelou, comprou, adquiriu e em muitos casos estão sentindo agora os impactos destes bens adquiridos. Segundo a reportagem do jornal O Estado de S. Paulo com base no relatório divulgado pela SERASA, o número de inadimplentes bateu o recorde de 57 milhões. Se colocarmos em contraponto com a população economicamente ativa (maiores de 14 anos, empregados e trabalhadores autônomos) que é em torno de 130 milhões trata-se uma parcela considerável da população. Fatores como a falta de educação financeira é um dos principais motivos, pois na maioria dos casos a inadimplência surge, pois não foram considerados os imprevistos no médio e longo prazo. Um exemplo simples: João recebeu uma promoção e está muito otimista. Pensou em  utilizar este novo valor que passaria a receber com a promoção, adicionado ao das horas extras (vamos chamar este novo valor de renda variável)para investir em um carro, parcelando este bem em 72 vezes. Após um ano, João já estava com o seu carro e pagando em dia seus compromissos com esta nova renda, porém, os negócios  na empresa em que João trabalha não estavam tão bem quanto no período anterior e as horas extras foram cortadas. Infelizmente o cenário continuava pessimista para as empresas, que se viram obrigadas a reduzir seus quadros de funcionários. João estava neste quadro e foi demitido. Passou então a não contar mais com essa renda para cumprir seus compromissos assumidos. Dessa pequena historinha podemos tirar um exemplo do nosso comportamento imediatista frente aos compromissos de longo prazo. Entendo que existam bens necessários que precisam ser adquiridos com uma certa urgência, porém o que não podemos fazer é assegurar altos compromissos sem uma base sólida (neste caso, garantir uma pontualidade de pagamentos a prazo com uma renda variável).Não é seguro. Receita variável jamais deve ser confundida como receita permanente, pois ainda não inventaram uma máquina do tempo ou de previsão do futuro. Sendo assim, vale a pena buscar ajuda de um especialista em finanças, quando estas oportunidades (essa renda extra)aparecerem. Entrar nas estatísticas de inadimplência não é saudável nem pra você, nem para o resto do país, acredite.

 
Para saber mais: